
Lembro-me com detalhes de uma conversa que tive com um amigo em 2000, quando o Arch Enemy anunciou Angela Gossow como nova vocalista da banda. E essa conversa foi baseada em dúvidas e preconceitos pelo fato de ser uma mulher assumindo os vocais de uma banda que, até então, havia contado com os urros de um homem.
O último disco do Arch Enemy com Johan Liiva nos vocais foi Burning Bridges, de 99, e era considerado como um dos melhores representantes do Gothenburg Sound, movimento que estava em alta naquela época. Exatamente por isso a suspeita era grande, já que ninguém podia imaginar que uma mulher conseguisse executar vocais tão legais (e brutais) quanto os registrados em Silverwing, The Immortal ou Demonic Science, faixas de destaque em Burning Bridges.
Mas hoje, doze anos e cinco discos depois, ninguém mais pensa que Angela Gossow está no lugar errado. E ninguém mais pensa se é uma mulher urrando a frente do Arch Enemy. A alemã conquistou rapidinho o respeito dos fãs e contribuiu muito para o crescimento que a banda encontrou desde a sua entrada.
E não poderia ser diferente. A vocalista, dona de muita presença, seja pela qualidade vocal, postura ou beleza, garantiu um acréscimo de agressividade ao som do Arch Enemy que poucos poderiam imaginar. Desde sua estréia em Wages Of Sin (01), a banda só aumentou seu status e a base de fãs.
E se Wages Of Sin foi a estréia, Anthems Of Rebellion (03) e Doomsday Machine (05) foram os responsáveis por consolidar a vocalista como a nova “cara” da banda. Esses dois discos apresentaram várias músicas que se tornaram clássicos, como Silent Wars e Nemesis, e ainda figuram como os dois melhores registrados pelo Arch Enemy, muito à frente dos três primeiros, com Liiva nos vocais.
Hoje é natural pensar em Arch Enemy com Angela Gossow. E a idéia de preconceito e dúvida sobre sua qualidade acaba parecendo algo bobo e descabido. Mas isso existiu e na época os fãs ficaram divididos. De um lado ficaram aqueles que simplesmente desistiram da banda; do outro, aqueles que primeiro queriam saber o que ia acontecer dali em diante para depois julgar. Foram poucos os fãs incondicionais.
Mas gosto de pensar que, independente do lado escolhido, 100% dos fãs acabaram aprovando a vocalista. E, de fato, Angela Gossow não merecia nada diferente disso.




















Janeiro começou fraco. Mesmo assim, Ironbound, dos veteranos thrashers do Overkill, agora no cast da Nuclear Blast, e To The Metal, do Gamma Ray, foram muito bem recebidos pelos fãs. Mas o grande destaque do mês é The Never Ending Way Of ORwarriOR, dos israelenses do Orphaned Land, um dos grandes discos de 2010.
Março não conseguiu um representante que me agradasse a ponto de ser citado aqui, mas abril foi repleto de bons discos se você é apreciador de metal melódico. O Rhapsody Of Fire lançou o bom The Frozen Tears Of Angels, mostrando uma evolução monstruosa em seu tarantela metal, e o Avantasia concluiu sua trilogia com dois lançamentos simultâneos, Angel Of Babylon e The Wicked Symphony, onde o destaque é a constelação de convidados,
Dois álbuns se destacaram sozinhos em junho e julho, respectivamente. The Seraphic Clockwork, do Vanden Plas, já
Poetry For The Poisoned, do Kamelot, Made Of Metal, do Halford, Consequence Of Power, do Circle II Circle, Sitra Ahra, do Therion, Static Impulse, de James Labrie, e Abrahadabra, do Dimmu Borgir colocam o mês como um dos mais intensos de 2010. O grande destaque fica com Relentless Retribution, do Death Angel, cuja turnê trouxe a banda ao Brasil pela primeira vez.
Os lançamentos de novembro foram completamente ofuscados por Victims Of The Modern Age, novo álbum do projeto Star One, de Arjen Lucassen, dono também do Ayreon e do Guilt Machine. O disco traz atuações belíssimas dos vocalistas Floor Jansen, Damien Wilson, Dan Swanö e Russell Allen, além de conseguir se igualar ao disco de estréia, Space Metal, de 2002, algo que nem os fãs mais fanáticos poderiam imaginar.



O set list priorizou dois períodos distintos e extremos da carreira da banda, priorizando os clássicos do primeiro disco, The Ultra-Violence (87), e do último, Relentless Retribution (10), mas não deixando de fora algumas faixas essenciais de seus outros álbuns.