domingo, 29 de janeiro de 2012

Angela Gossow, os urros do Arch Enemy


Lembro-me com detalhes de uma conversa que tive com um amigo em 2000, quando o Arch Enemy anunciou Angela Gossow como nova vocalista da banda. E essa conversa foi baseada em dúvidas e preconceitos pelo fato de ser uma mulher assumindo os vocais de uma banda que, até então, havia contado com os urros de um homem.

O último disco do Arch Enemy com Johan Liiva nos vocais foi Burning Bridges, de 99, e era considerado como um dos melhores representantes do Gothenburg Sound, movimento que estava em alta naquela época. Exatamente por isso a suspeita era grande, já que ninguém podia imaginar que uma mulher conseguisse executar vocais tão legais (e brutais) quanto os registrados em Silverwing, The Immortal ou Demonic Science, faixas de destaque em Burning Bridges.

Mas hoje, doze anos e cinco discos depois, ninguém mais pensa que Angela Gossow está no lugar errado. E ninguém mais pensa se é uma mulher urrando a frente do Arch Enemy. A alemã conquistou rapidinho o respeito dos fãs e contribuiu muito para o crescimento que a banda encontrou desde a sua entrada.

E não poderia ser diferente. A vocalista, dona de muita presença, seja pela qualidade vocal, postura ou beleza, garantiu um acréscimo de agressividade ao som do Arch Enemy que poucos poderiam imaginar. Desde sua estréia em Wages Of Sin (01), a banda só aumentou seu status e a base de fãs.

E se Wages Of Sin foi a estréia, Anthems Of Rebellion (03) e Doomsday Machine (05) foram os responsáveis por consolidar a vocalista como a nova “cara” da banda. Esses dois discos apresentaram várias músicas que se tornaram clássicos, como Silent Wars e Nemesis, e ainda figuram como os dois melhores registrados pelo Arch Enemy, muito à frente dos três primeiros, com Liiva nos vocais.

Hoje é natural pensar em Arch Enemy com Angela Gossow. E a idéia de preconceito e dúvida sobre sua qualidade acaba parecendo algo bobo e descabido. Mas isso existiu e na época os fãs ficaram divididos. De um lado ficaram aqueles que simplesmente desistiram da banda; do outro, aqueles que primeiro queriam saber o que ia acontecer dali em diante para depois julgar. Foram poucos os fãs incondicionais.

Mas gosto de pensar que, independente do lado escolhido, 100% dos fãs acabaram aprovando a vocalista. E, de fato, Angela Gossow não merecia nada diferente disso.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Rose For Epona

Em 2008 quando lançou Slania, seu segundo álbum, o Eluveitie começava a passar da fase de “banda iniciante” para a de “banda promissora”. Na Europa o folk metal se fortalecia cada vez mais e a banda suíça dava seu primeiro passo com a Nuclear Blast, o que garantiu boa visibilidade dentre as tantas novidades no estilo.

No entanto, aqueles que descobriram a banda em seu primeiro álbum, Spirit, de 2006, chiaram um pouco, pois nesse segundo disco algumas mudanças no som já podiam ser notadas. Mudanças suaves, mas que significavam indícios de que algo maior poderia vir.

Os lançamentos seguintes confirmaram essa tendência do Eluveitie. Embora Evocation I tenha sido totalmente focado na parte folk, acústico e com ênfase nos vocais femininos, Everything Remains (As It Never Was) mostrou um apelo muito maior, com melodias mais simples e grudentas, maior participação das vocalistas (o que significou menos vocais guturais) e um distanciamento da parte mais extrema do tipo de heavy metal que a banda executava em seus primeiros discos.

E essa mudança parece vir com mais força no novo álbum, Helvetios, previsto para ser lançado na Europa em 10/02. Tal suposição é baseada na faixa escolhida para o primeiro clipe, A Rose For Epona, que não é uma música ruim, mas que é sensivelmente mais moderna, bastante semelhante ao que fazem os italianos do Lacuna Coil. Nem mesmo a “parte folk” da música serve para aproximar a composição aos bons momentos de Spirit e Slania.

Claro que se trata de uma análise antecipada, já que uma música apenas não serve de amostragem para julgar um disco todo. Mas minha torcida é que o restante do disco não seja na linha de A Rose For Epona.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tattoo

Depois de muita enrolação, muitos ensaios, muitos atrasos, eis que o Van Halen (e cada vez mais Van Halen de fato) aparece com algo novo e concreto, o clipe de Tattoo. A música é o primeiro single do novo disco da banda, A Different Kind Of Truth, previsto para o começo de fevereiro.

Embalada por um clipe que mais parece uma versão atualizada de Jump, Tattoo é uma música simples, que não mostra a genialidade que é sempre atribuída a Eddie Van Halen, mas que dificilmente vai passar em branco.

Esse single já vem acompanhado de uma série de polêmicas. Fãs acusam a banda de ter apenas reaproveitado uma música antiga e nunca utilizada, ao invés de criar algo novo (o que o Megadeth fez muito bem em seu último disco, aliás). E algumas críticas reclamam da falta dos backing vocals de Michael Anthony, excluído desse retorno do Van Halen para a estréia do baixista Wolfgang Van Halen, filho de EVH.

Mas se a música não é genial, David Lee Roth pelo menos faz sua parte com dignidade. Longe de sua época áurea, o vocalista acerta com tons mais confortáveis e boa interpretação, já que os anos de alcance e potência ficaram pra trás.

Não é ruim, mas hoje existe o Chickenfoot...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Forbidden, o último disco do Black Sabbath


O final de 2011 trouxe a notícia de mais uma reunião do Black Sabbath. Sim, a formação original se reuniu e, para 2012, promete um disco novo de músicas inéditas (com produção de Rick Rubin) e uma turnê mundial. Provavelmente tudo isso será seguido por uma nova separação, mas isso, embora bastante rotineiro na história da banda, já é outra fábula.

E esse anúncio de um disco de músicas inéditas do Black Sabbath fez minha memória funcionar. Com exceção feita à meia dúzia de músicas lançadas em discos ao vivo e coletâneas (se não me engano em Reunion, de 1998, e em The Dio Years, de 2007), o Black Sabbath não apresenta um trabalho inédito desde o altamente desvalorizado Forbidden, de 1995.

E é em Forbidden que eu queria chegar. O último álbum de verdade do Black Sabbath. Curiosamente, um disco que eu tinha acabado de redescobrir, após muitos e muitos anos sem ouvi-lo.

Lançado pela I.R.S. Records, Forbidden tinha em sua formação apenas Tony Iommi da formação original, ou seja, aproximadamente 60% do Black Sabbath (sim, é a minha matemática aplicada aqui). No baixo estava o experiente Neil Murray; na bateria o igualmente rodado Cozy Powell. E, no vocal, o contestado Tony Martin, que embora não fosse 100% aceito pelos fãs, fazia seu melhor em interpretações bem condizentes com as músicas do disco.

E hoje em dia me pergunto o porquê de Forbidden ser um álbum tão obscuro na discografia da banda. Ele tem muitas das características clássicas do Black Sabbath, além de diversos outros acréscimos. Mas, obviamente, a participação de Ice-T em The Illusion Of Power, além do descontentamento com o resultado final do disco de alguns dos próprios membros da banda à época (sobretudo com relação à produção de Ernie C, realmente abaixo da média) ajudaram a formar sua má reputação.

Mas é uma reputação merecida? Eu acredito que o tempo desgastou os fatores inerentes à época e que hoje o disco pode ser visto como um belo trabalho de uma das formações mais interessantes que o Black Sabbath já teve. Afinal, essencialmente, um bom disco é aquele formado por boas músicas. E isso Forbidden tem.

A primeira delas, inclusive, é a já citada The Illusion Of Power, com seu andamento extremamente carregado e sombrio, mostrando aquele Black Sabbath que é a base em que se formou o doom metal. Diga-se de passagem, Ice-T mal aparece na música, fazendo apenas alguns backing vocals e uma passagem narrada curta.

Tony Iommi, como sempre, mantém a fama de mestre dos riffs com alguns realmente memoráveis, como em Get A Grip, Shaking Off The Chains e Sick And Tired (essa também com um solo muito bonito). Um bom gosto que, por si só, já é quase garantia de qualidade.

Outro ponto alto é a bela participação do finado Cozy Powell, acrescentando pedais duplos bem utilizados aqui e ali, expediente não muito comum na discografia do Black Sabbath.

Enfim, embora tenha muitas qualidades, Forbidden ainda é desconhecido pela grande maioria, mesmo com a facilidade que a internet oferece. E, mesmo se tratando de um disco que merecia ser lembrado mais vezes pelo fãs do Black Sabbath, em breve perderá sua maior característica, que é ser justamente o último disco de músicas inéditas da banda, entrando cada vez mais num esquecimento forçado e injusto.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bad Guys Wear Black

O Primal Fear não é a banda que vai mudar os rumos do heavy metal, mas é incrível como eles conseguem manter um alto padrão em seus discos (embora tocando sempre o mesmo metal tradicionalzão altamente inspirado pelo Judas Priest).

E no novo álbum, Unbreakable, Mat Sinner parece ter vencido o problema nas guitarras com a solidificação da parceria com o guitarrista sueco Magnus Karlsson (Allen/Lande, Starbreaker), iniciada no disco anterior, 16.6 (Before the Devil Knows You're Dead).

O clipe de Bad Guys Wear Black já está circulando desde dezembro, mas o lançamento do álbum será no próximo dia 20. E por essa amostra podemos esperar por mais um bom disco (embora, repito, não vai ser inovador, surpreendente ou de vanguarda; vai ser apenas Primal Fear).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Charred Walls Of The Damned, Cold Winds On Timeless Days


Os super grupos vieram, viram e, até agora, estão vencendo. A maioria chegou com status de projetos chiques e aquela conversa de “somos uma banda e não um projeto paralelo” e, após os primeiros lançamentos, estão se consolidando de fato.

Dentre todos, Chickenfoot e Black Country Communion são dois bons exemplos de super grupos que surgiram cercados de expectativas e conseguiram manter um padrão digno em seus lançamentos. Já o Adrenaline Mob, de Mike Portnoy e Russell Allen, lançou apenas um EP e ainda não parece sólido o suficiente para ser levado á sério como banda real; ainda.

E, à margem dessas formações de grande exposição na mídia, surgiu em 2010 o Charred Walls Of The Damned, projeto criado pelo baterista Richard Christy (Death, Control Denied, Iced Earth) em sua volta ao heavy metal. E a banda pode realmente ser chamada super. Além de Christy, o CWOTD conta com o excepcional Steve DiGiorgio, Tim “Ripper” Owens e Jason Suecof nas guitarras.

O primeiro disco, auto-intitulado, parecia um apanhado de várias coisas que Christy fez em suas bandas anteriores, e era cercado por exageros técnicos por todos os lados. Tem seus bons momentos, mas dá a impressão de que seria um disco muito interessante se fosse duramente editado. Já o segundo álbum, Cold Winds On Timeless Days, lançado em outubro de 2011, tem todas as qualidades do primeiro, mas quase nenhum de seus defeitos.

A verdade é que Cold Winds On Timeless Days é um disco de heavy metal digno de figurar entre qualquer lista de melhores do ano. Tim Owens está cantando de forma bem contida, mas não inferior por causa disso. Arrisco dizer que é sua melhor performance desde que ele surgiu para o mundo com Jugulator, do Judas Priest.

Christy e DiGiorgio dispensam elogios. Eles fazem exatamente aquilo que se espera deles, acrescentando tantos detalhes em suas partes que deixam todas as músicas com aquela sensação de que sempre há algo ainda não descoberto a ser encontrado em outras audições do disco. Mas é preciso ressaltar que suas partes nunca chegam a parecer exageradas, ao contrário do disco de estréia. Timeless Days, faixa de abertura, é um bom exemplo de técnica utilizada a serviço da qualidade musical.

Trata-se de um heavy metal que não chega a definir sua intenção em ser thrash metal, além de ter muito daquele metal norte-americano levado a cabo por Iced Earth e Jag Panzer. Christy chega até a flertar com o metal extremo em blast beats muito bem utilizados. Mas, independente do rótulo, basta apenas saber que é heavy metal muito bem feito.

O Charred Walls Of The Damned é muito, muito promissor.

domingo, 1 de janeiro de 2012

MOA: Maranhão Open Air

2012 será o ano que o Brasil sediará o primeiro evento exclusivo de heavy metal aos moldes dos grandes festivais europeus, o Metal Open Air, programado para acontecer entre os dias 20 e 22 de abril em... São Luís-MA! Sim, o maior evento especializado em heavy metal dos últimos anos acontecerá no Maranhão, ao invés dos prováveis São Paulo e Rio de Janeiro.

Há algo de errado com isso? Moralmente nada. O Maranhão pode oferecer aos produtores tanta infra-estrutura quanto paulistas e cariocas, e com certeza tem headbangers tão fiéis quanto qualquer outro estado brasileiro.

E, no entanto, por que é que fica a impressão de que algo está errado nisso?

No site oficial do evento há uma justificativa que é bastante elogiável, que diz que os headbangers do Nordeste do país merecem ser contemplados com um festival desse porte, já que tantas vezes tiveram que se deslocar para longe para poder conferir algo assim em estados do Sudeste brasileiro. Dessa vez o público do Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste é que deve se deslocar para conferir o grande evento.

Até aí tudo certo. O headbanger de qualquer estado é fiel o suficiente para juntar suas moedinhas e tentar ir até São Luís a fim de assistir às várias bandas que formam o cast (ainda parcial) do festival. Afinal, tanto do lado internacional quanto nacional foram confirmadas bandas de renome e qualidade suficiente para agradar a gregos e troianos.

E o cast é realmente impressionante, com Anthrax, Exodus, Krisiun, Blind Guardian, Korzus, Andre Matos, Grave Digger, Destruction, Drowned, entre outras bandas daqui e de fora que valem a pena ver ao vivo. Serão ao todo quarenta entre os três dias de evento.

No entanto, conforme as atrações foram sendo anunciadas para o cast do festival, alguns outros shows das mesmas bandas também foram sendo anunciados para São Paulo. Blind Guardian e Grave Digger por exemplo, tocam juntas na capital paulista. Anthrax é outra confirmada para São Paulo, no dia 27/04.

Se os principais nomes do festival forem confirmar presença na capital paulista, o headbanger do Sudeste irá ao Maranhão? Essa é a pergunta que eu e muito outros fazem. Devemos analisar também que entre março e abril serão vários finais de semana recebendo apresentações de bandas importantes. Iced Earth, Amon Amarth, Sodom, Opeth, Six Feet Under, Dimmu Borgir, Zak Stevens, Roger Waters, Lacuna Coil, Sisters Of Mercy, todas passam por São Paulo entre março e abril. Tudo isso vai fazer o cara pensar duas vezes antes de investir aproximadamente mil e quinhentos reais em um festival no Maranhão.

E isso tudo levanta a questão: o MOA vai valer à pena? Provavelmente sim, e se tornará uma memória incrível para aqueles que forem lá prestigiar o evento. Mas, infelizmente, a maior parte dos headbangers de Sul e Sudeste ficará mesmo com os shows isolados. Já os outros ainda terão que se deslocar por grandes distâncias, até conquistarem o direito de ganhar seu próprio festival.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sonic Youth de volta ao Brasil

O Sonic Youth, uma de minhas bandas favoritas, volta ao Brasil pela quarta vez no dia 14 de novembro de 2011, no festival SWU. Aproveitando a ocasião, mantenho-me como colaborador relapso deste blog e desovo outro texto antigo e inédito, também feito originalmente para o extinto fanzine Choose Your Side. No caso, é uma crítica ao CD Sonic Nurse, escrita há sete anos. Mantenho o formato original pedido pelo editor Fábio Carvalho, com nota, lista das músicas e o que acho mais importante, o formato de mídia utilizado - uma edição de MP3 vazada na web ou em vinil podem ter músicas a mais, ou a menos, etc. Quanto ao Sonic Youth hoje em dia, é uma rara banda com mais de trinta anos de carreira ininterrupta que se manteve produtiva e criativa, estando de volta à independência, lançando discos tão bons quanto antigamente pela gravadora Matador Records.


Banda: Sonic Youth
Álbum: Sonic Nurse
Nota: 9,9
Ano: 2004
Gravadora: Geffen/Universal
Origem: Edição nacional do Cd

01 – Pattern Recognition
02 - Unmade Bed
03 – Dripping Dream
04 – Kim Gordon and the Arthur Conan Doyle Hand Cream
05 – Stones
06 – Dude Ranch Nurse
07 – New Hampshire
08 – Paper Cut Exit
09 – I Love You Golden Blue
10 – Peace Attack

Existem bandas que nunca deram uma bola fora – Minor Threat e Fudge Tunnel são dois bons exemplos. Em comum, tiveram trajetórias meteóricas e não arriscaram voltar aos palcos após anos e anos de inatividade. Sonic Youth nunca errou a mão, mesmo tendo 23 anos de carreira. Caso raro entre seus contemporâneos, manteve a consistência, vitalidade e lógica interna de sua sonoridade. Mesmo após sua obra prima, o álbum Daydream Nation (1988), tudo que a banda fez depois perseguiu de perto o estado de graça de seu melhor trabalho. Mais experimental em alguns registros, mais acessível em outros, a “Juventude Sônica” só parecia se dobrar ao peso da idade em Murray Street, lançado em 2002. Muito bom, mas sem a inventividade dos anteriores. Sonic Nurse, gravado e lançado este ano, recupera o ritmo.
A distorção permanece, assim como no trabalho anterior, porém o grupo continua soando mais contido. Parece que seus integrantes querem preservar os tímpanos após mais de duas décadas de detonação. O que foi retomado é a capacidade de surpreender seguindo o próprio caminho, como já fica patente em Pattern Recognition, faixa de abertura. Entretanto, é a segunda música, Unmade Bed, que nos traz de volta o Sonic Youth inspiradíssimo de sempre, equilibrando melodias delicadas e microfonia. Dripping Dream segue o mesmo esquema, sendo outro ponto alto, se é possível afirmar isto em meio a tantas pérolas. New Hampshire vicia com as guitarras encharcadas de adrenalina, característica primal do guitar noise rock.
Um dos grandes prazeres de pôr um disco do Sonic Youth para rodar é esperar Lee Ranaldo cantar, função assumida com mais freqüência por outro guitarrista, Thurston Moore, ou pela baixista Kim Gordon. Ele só dá as caras na oitava faixa, Paper Cut Exit. Peace Attack – grande título – fecha Sonic Nurse com classe, mas isto é tão pouco esclarecedor, é injusto não mencionar tantos detalhes impressivos presentes em todas as músicas... Enfim, pra encurtar a história, outro discaço em uma discografia impecável. Não que Velvet Underground não seja o Velvet, que Television e Richard Hell and the Voivods não tenham marcado época, que o abissal Mars já não explorasse sendas estranhas em um ponto perdido dos anos 1970, mas Sonic Youth supera em muito seus predecessores diretos – e também seus seguidores - como o grande nome do rock de Nova Iorque.
Daniel Souza Luz

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O "novo" Dream Theater

Desde a saída de Mike Pornoy do Dream Theater, muitos se perguntavam quem estaria à altura de substituí-lo. Há poucos meses tivemos a notícia que Mike Mangini era o novo baterista, decisão anunciada por meio de um mini reality show documentando o processo de audição de novos bateristas. Poucos questionariam a competência técnica de Mangini, mas uma dúvida que muitos fãs provavelmente nutriam era se Mangini cumpriria também a função de compositor que Portnoy tão assiduamente desempenhava na banda.

Os frutos da união de Mangini ao Dream Theater podem ser ouvidos em "On The Back of Angels", novo single do Dream Theater, revelado no último dia 28. A música é, em uma palavra, modesta. À primeira audição ela me lembrou o álbum Falling into Infinity, que tinha um andamento geral bem mais cadenciado que a maior parte dos trabalhos recentes do Dream Theater. Outro autor deste blog a comparou ao som de outro álbum, Images and Words, do começo da carreira do Dream Theater, que também apresentava uma pegada mais leve. Os dois primeiros minutos da faixa realmente soam como coisas que se ouviria no começo da carreira do Dream Theater, mas diferentemente a música toda é tecnicamente tímida.

Tais "timidez" e "modéstia" estão ainda mais óbvias na bateria de Mangini. Comenta-se que as baterias do álbum teriam sido todas programadas por John Petrucci durante o processo de composição e que Mangini teria apenas gravado as linhas já compostas. Se essa for a verdade, ainda não sabemos o real potencial do baterista junto à banda, coisa que talvez só vejamos no álbum seguinte. Mas, levando em conta o histórico do músico em outros projetos, fui instruído a não esperar muito mais do que se pode ouvir nessa faixa. Poderia ser injustiça julgar o álbum todo apenas por essa faixa, mas deve-se também lembrar que a banda, ao escolhê-la como single, a elegeu como representante do trabalho todo.

Enfim, julguem vocês mesmos:

sábado, 25 de junho de 2011

E o Anthrax "voltou"...

O Anthrax nunca deixou de existir de fato. Mas já se foram oito anos desde seu último disco de inéditas, We've Come for You All, e de lá pra cá os caras tiveram diversos problemas em fixar um novo vocalista, já que John Bush decidiu sair e seu substituto Dan Nelson não foi mais do que um enorme engodo.

O resultado disso foi o retorno de Joey Belladonna, que logo pegou a estrada com o Anthrax nos shows com o Big4 e aparece aqui em Fight’em ‘til You Can’t, primeira música disponibilizada do próximo disco, Worship Music, que tem lançamento programado para 13 de setembro.

E Belladonna soa muito bem (assim como no DVD do Big4) me fazendo pensar que dificilmente o disco resultante dessa reunião renderá críticas negativas. Principalmente porque o primeiro sinal de que Worship Music será um bom disco está aqui, nesta música!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Rage em Sampa, 19/06/11


O Brasil tem recebido uma quantidade enorme de shows internacionais. E dois efeitos são observados graças a isso. O primeiro é a diminuição do público; é visível que menos gente tem ido aos shows, mesmo quando os preços não são tão exorbitantes assim. Com tanta oferta o público acaba se dividindo entre as opções naquela semana (ou mês).

O segundo efeito é que o público que comparece a um determinado show é composto, em sua maioria, de fãs e grandes apreciadores da banda ou artista que lá está se apresentando. E é engraçado notar que, mesmo com um número menor de pessoas, esse público seleto consegue se fazer presente com tanta força quanto uma multidão.

Estou comentando sobre isso porque foi exatamente o que pude notar no show do Rage, que rolou no último dia 19, no Carioca Club, em São Paulo. Não tenho números oficiais, mas acredito que o público daquela noite de domingo não ultrapassou setecentos presentes. Mas que, mesmo assim, curtiram o show de tal maneira que faziam a impressão de termos um público bem acima dos mil.

E o Rage correspondeu? Se pensarmos friamente, não. O show foi curto, com um set list que priorizou demais os dois últimos lançamentos, e presenciamos até um trainwreck numa das músicas mais obrigatórias dessa fase atual da banda.

Por outro lado, mesmo com todos os fatores negativos, Peavy, Victor Smolski e Andre Hilgers estavam claramente estupefatos e felizes com seu público. Eu nunca havia presenciado tamanha felicidade dos membros de uma banda em cima de um palco. Eles rivalizavam com o próprio público. Era como se eles também tivessem esperado tanto tempo para nos rever. E o encontro dessas duas situações, uma banda satisfeita por estar aqui, e um público seleto de fãs e admiradores, gerou um grande evento.

O início, com The Edge Of Darkness, Soundchaser e Hunter And Prey, já mostrava que Smolski estava inspirado. O russo estava insano no palco, sorrindo o tempo todo e interagindo o tempo todo com seus colegas de banda e o público. E Peavy, sempre simpático ao extremo, chegou a comentar que era impressionante o quanto nós conhecíamos as letras das músicas, inclusive melhor do que ele mesmo, fazendo alusão a um pequeno deslize que cometeu em Hunter And Prey.

Into The Light foi impressionante ao vivo, uma das melhores composições de Smolski em sua carreira no Rage. Drop Dead, Empty Hollow, Set This World On Fire, War Of Worlds e Carved In Stone, todo o set list baseado nos últimos discos de studio da banda (embora Speak Of The Dead tenha sido completamente ignorado), até que Peavy anunciou “some old stuff”. Daí vieram aquelas versões mezzo-medley de Solitary Man e Black In Mind, que foram ótimas, mas que poderiam ter rolado inteiras dessa vez.

Quando Peavy anunciou Down o público vibrou imensamente e pareceu nem se importar quando as coisas se confundiram no meio do solo. Down terminou de um jeito que nunca havia terminado antes, com solos de guitarra, baixo e bateria. Tudo em meio a muito apoio do público, que gritou e cantou o tempo todo. Ao final, com Peavy de olhos arregalados e Smolski rindo absurdamente no palco, via-se que nada mesmo poderia atrapalhar aquele show.

Higher Than The Sky era o final planejado e o que todos esperavam. Todos queriam cantar o refrão e impressionar a banda. E foi o que aconteceu. Mas não era o final ainda, e depois de tocar várias intros de músicas famosas (entre elas Run To The Hills, We’re Not Gonna Take It e Painkiller), o Rage terminou seu show com Highway To Hell, como vem fazendo em algumas apresentações em festivais e no cruzeiro 70.000 Tons Of Metal.

Em meio a elogios de “melhor público de um ano e meio de tour” e promessas de começar a próxima turnê em São Paulo, o trio deixou o palco completamente satisfeito. E o público, que ainda pediu por Don’t Fear The Winter sem ter sido atendido, também saiu satisfeito, pois assistiu a um show que tinha tudo para ser péssimo, mas que foi excepcional.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Soundgarden, de volta

O recentemente ressurgido Soundgarden liberou um vídeo de sua performance de "Fell on black days" no festival Lollapalooza 2010. Confira abaixo:

Desde sua volta, ano passado, a banda lançou uma coletânea, "Telephantasm", e o ao vivo "Live on I-5", que contém apenas registros antigos, da turnê do último álbum, Down on the upside (1996). Agora, finalmente estão gravando um novo disco que é o que eu, pelo menos, estou aguardando.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Arte das capas: Dave Mckean

O ilustrador inglês Dave Mckean foi um dos revolucionários que viraram os quadrinhos norte-americanos do avesso no fim dos anos 80. Seus principais trabalhos, “Asilo Arkham”, com roteiro de Grant Morrison e “Orquídea Negra”, escrita por Neil Gaiman, além de todas as capas da série de Gaiman “Sandman”, ajudaram a estabelecer novos limites para as HQs como forma de arte, misturando pintura, desenhos, colagens e sobreposição de imagens para criar experiências visuais diferenciadas.

Mas ele também aplicou seu talento em outras áreas. Entre as quais, a criação de capas para LPs e CDs de artistas variados. No metal, a importância do seu trabalho é de especial importância, por ter influenciado uma boa parte dos artistas que se seguiram, especialmente depois que o advento do Photoshop possibilitou conseguir, por meio do computador, resultados semelhantes aos que ele já obtinha artesanalmente há mais de 20 anos. Usar a sobreposição de imagens para gerar efeitos surreais virou regra. Artistas como o brasileiro Gustavo Sazes (http://www.abstrata.net/) devem muito a Dave Mckean.

Para conhecer melhor o trabalho deste grande artista, visite http://www.mckean-art.co.uk/




segunda-feira, 25 de abril de 2011

Abandonando o navio

Na última semana, três boas bandas sofreram baixas significativas em seu line-up. Para começar, o vocalista Roy Khan, finalmente, anunciou sua saída do Kamelot. OK, isto não foi nenhuma surpresa, já que os americanos vinham excursionando sem seu vocalista norueguês, substituído por convidados, há algum tempo. Khan era o grande responsável pela identidade diferenciada da banda dentro do “universo cópia carbono” do heavy metal melódico, tendo um estilo muito pessoal, que já havia mostrado à frente do ótimo Conception. Mas se afastou da banda alegando esgotamento, e nem chegou a iniciar a turnê do último disco, “Poetry for the poisoned”.

Roy Khan, ao centro: fora.

As perspectivas para o Kamelot não são boas, se o caminho escolhido por eles daqui para frente for o mesmo seguido ao recrutar seu principal vocalista (supostamente) temporário, que foi Fabio Lione, do Rhapsody (of Fire). Substituir um vocalista único por um que pode até ser bom, mas é a própria encarnação dos clichês do estilo, não foi uma idéia feliz.

Mais surpreendente foi a notícia de que o guitarrista Jeff Loomis e o baterista Van Williams não fazem mais parte do Nevermore, reduzindo a banda ao vocalista Warrel Dane e o baixista Jim Sheppard, que está afastado por problemas de saúde. Ou seja, o Nevermore hoje se resume a Warrel Dane.

Jeff Loomis e Van Williams, 1º e 2º à esquerda: fora.

Os ex-membros alegaram “crises internas e problemas recorrentes” como as causas do rompimento. Pelo visto, já havia um racha entre os músicos, mas isto não era algo que viesse a público, anteriormente. O que transpareceu, e pode ser conseqüência das crises e problemas que os afetavam, foi uma queda na qualidade dos registros. O mais recente, “The obsidian conspiracy”(2010), mesmo tendo qualidades, rompeu com a tradição do Nevermore de sempre apresentar algum elemento novo e interessante em seus discos, sem perder seu estilo. É apenas mais do mesmo, e perde inclusive para os trabalhos solo de Dane (“Praises to the war machine”, de 2008) e Loomis (“Zero order phase”, instrumental, também de 2008).

Fica a dúvida sobre a possibilidade de existir um Nevermore sem os músicos que moldaram a sonoridade da banda.

Outra surpresa foi o Judas Priest, já em uma grande turnê de despedida das grandes turnês (vai entender...), perder seu guitarrista original, K. K. Downing, que decidiu se aposentar antes do restante da banda. Especulações sobre o estado de saúde do músico de 59 anos foram rechaçadas pelo próprio, que justificou sua decisão por estar tendo problemas de comunicação e relação com os colegas e seus empresários. O que faz parecer que a lendária banda anda se digladiando pelos dividendos da grande despedida. E não pouco, a ponto de levar alguém a abandonar, tão perto do fim, algo a que se dedicou por 43 anos.

K. K. Downing, 1º à esquerda: fora.

Pena, pois naquela que provavelmente será a última passagem do Judas pelo Brasil, repetindo a dobradinha com o Whitesnake que ocorreu em 2005, teremos um guitarrista substituto, um certo Richie Faulkner. Não é muito animador, mas eu vou estar lá, dia 10 de setembro.

Por outro lado, isto significa que a aposentadoria dos outros integrantes deve mesmo ser iminente. Dificilmente se pode pensar em um novo disco sem Downing. Se era mais uma daquelas despedidas de mentira, agora provavelmente será bem real.

sábado, 16 de abril de 2011

Joelho de Porco – “São Paulo – 1554/Hoje”

O Joelho de Porco aparece na Wikipédia como “um dos maiores grupos do rock-humor brasileiro”. Nada mais injusto. Embora suas letras contenham doses cavalares de humor, o Joelho foi sim uma das maiores bandas de rock que esse país já teve, e seu humor inteligente, bem diferente de coisas infantis como os Mamonas Assassinas da vida, estava contido em letras muito bem escritas. Sua discografia é bissexta e de qualidade irregular, mas este “São Paulo – 1554/Hoje”, de 1976, é sem dúvida um dos melhores discos de rock gravados no Brasil.

O núcleo central da banda eram o baixista e compositor Tico Terpins e o vocalista (que também fora baterista) Próspero Albanese. A performance do cantor, em especial, é espetacular. Músicas como “Aeroporto de Congonhas”, “Boeing 723897” e “São Paulo by day” são hinos do cotidiano maluco na metrópole. “Cruzei meus braços... fui um palhaço” e “A lâmpada de Edison” misturam ironia e poesia de forma única.

Outro erro que frequentemente se comete com o Joelho é considerar a banda como “precursora do punk brasileiro”. O que se ouve aqui é hard rock dos bons, bem composto e bem executado. Músicos acima de qualquer suspeita, como Mozart Mello e Wander Taffo, passariam pela banda no futuro, mas este disco conta com o guitarrista original Walter Baillot, que em nada fica devendo aos seus sucessores.

Como aperitivo, fiquem com a guitarraria insana e a crítica à classe média de “Meus 26 anos”:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

The Ride

O Mindflow cresce de qualidade a cada álbum. Seu último disco, 365, é mais direto e menos prog que o anterior, Destruction Device. E isso não é demérito. O acréscimo de peso em músicas sensivelmente mais curtas permite uma assimilação bem mais rápida.

Não que a simplicidade tenha tomado conta do som do Mindflow. Não é isso. Toda a técnica do quarteto está lá e as composições ainda abraçam características do prog metal em diversos momentos do disco. Mas a sensação é a de que os caras quiseram ir direto ao ponto.

E, na minha humilde opinião, eles acertaram completamente. The Ride, faixa que ganhou videoclipe com cenas tiradas das turnês, é uma das que melhor define o rumo que o som do Mindflow tomou nesse disco.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Os melhores de 2010

2010 está terminando. Hora de olhar para trás e ouvir novamente os lançamentos do ano e decidir aquela famosa lista de favoritos. E, tenho que admitir, 2010 foi bem legal para o heavy metal, com muitos discos de qualidade e algumas boas surpresas. Mas é impossível comentar álbum por álbum. Exatamente por isso será mais fácil analisar mês a mês e elencar aqueles que se destacaram.  

Janeiro começou fraco. Mesmo assim, Ironbound, dos veteranos thrashers do Overkill, agora no cast da Nuclear Blast, e To The Metal, do Gamma Ray, foram muito bem recebidos pelos fãs. Mas o grande destaque do mês é The Never Ending Way Of ORwarriOR, dos israelenses do Orphaned Land, um dos grandes discos de 2010.

Em fevereiro as coisas começaram a acelerar e muitas bandas conseguiram se destacar em meio a um mar de lançamentos. Qualquer um entre Universal, do Borknagar, Easton Hope, do Orden Ogan (uma das boas novidades da Alemanha), Everything Remains As It Never Was, do Eluveitie (que toca no Brasil em fevereiro de 2011) e Festival, do Jon Oliva’s Pain, poderia ser o destaque do mês. No entanto, essa honra é de Strings To A Web, do Rage. O trio alemão se superou e conseguiu superar seu (bom) disco anterior com uma folga enorme.

Março não conseguiu um representante que me agradasse a ponto de ser citado aqui, mas abril foi repleto de bons discos se você é apreciador de metal melódico. O Rhapsody Of Fire lançou o bom The Frozen Tears Of Angels, mostrando uma evolução monstruosa em seu tarantela metal, e o Avantasia concluiu sua trilogia com dois lançamentos simultâneos, Angel Of Babylon e The Wicked Symphony, onde o destaque é a constelação de convidados, em especial Klaus Meine, do Scorpions, e Jon Oliva, que teve uma participação brilhante na faixa Death Is Just A Felling, do Angel Of Babylon.

Três pancadarias monstruosas merecem serem citadas entre os destaques de Maio, Discipline Of Hate, do Korzus, Exhibit B: The Human Condition, do Exodus, e o auto-intitulado disco de estréia do Musica Diablo. Além disso o Nevermore lançou The Obsidian Conspiracy, e o Pain Of Salvation abraçou o rock dos anos 70 em seu Road Salt One. O grande destaque é a brasileira Madgator, que enfim conseguiu lançar seu primeiro álbum, auto-intitulado, mostrando um hard rock/heavy metal muito acima da média.

Dois álbuns se destacaram sozinhos em junho e julho, respectivamente. The Seraphic Clockwork, do Vanden Plas, já resenhado neste blogue, e At The Edge Of Time, nono álbum do Blind Guardian, que era muito aguardado pelos fãs e agradou de forma quase unânime.

Agosto foi um mês bastante movimentado, com os lançamentos de Aqua, do Angra, e Heaven’s Venom, dos canadenses do Kataklysm. Dois discos poderiam ser citados como destaque do mês, Blood Of The Nations, do reformulado Accept e The Final Frontier, do Iron Maiden. Fico com o álbum dos alemães, que conseguiram soar dentro de suas características, mas com uma pegada rejuvenescida.

Poetry For The Poisoned, do Kamelot, Made Of Metal, do Halford, Consequence Of Power, do Circle II Circle, Sitra Ahra, do Therion, Static Impulse, de James Labrie, e Abrahadabra, do Dimmu Borgir colocam o mês como um dos mais intensos de 2010. O grande destaque fica com Relentless Retribution, do Death Angel, cuja turnê trouxe a banda ao Brasil pela primeira vez.

Outubro teve a tentativa do Helloween de voltar ao heavy metal com o razoável 7 Sinners. Mas quem recuperou algum status foi o Grave Digger, com o ótimo The Clans Will Rise Again. Os veteranos do Forbidden voltaram à cena com o pesadíssimo Omega Wave, e o grande destaque fica sendo Unrestricted, do Symphorce, já resenhado neste blogue.

Os lançamentos de novembro foram completamente ofuscados por Victims Of The Modern Age, novo álbum do projeto Star One, de Arjen Lucassen, dono também do Ayreon e do Guilt Machine. O disco traz atuações belíssimas dos vocalistas Floor Jansen, Damien Wilson, Dan Swanö e Russell Allen, além de conseguir se igualar ao disco de estréia, Space Metal, de 2002, algo que nem os fãs mais fanáticos poderiam imaginar.

Dezembro ainda não terminou, mas acredito que todos devem concordar comigo que nada baterá The Wörld Is Yours, do Motörhead, certo?

Em síntese acredito que, se tivesse que escolher apenas cinco dentre todos os que mereceram serem citados, acho que ficaria com os álbuns de Orphaned Land, Rage, Madgator, Symphorce e Star One, abrindo aí a possibilidade de um deles cair fora para abrigar o próximo clássico de Lemmy e Cia.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Awaken The Guardian remasterizado

Em 2005 a gravadora Metal Blade fez um relançamento especial do álbum Awaken The Guardian, do Fates Warning, lançado originalmente em 86. Nesse relançamento o áudio foi todo remasterizado, além de terem sido incluídos dois discos com material bônus. Um pacote bastante justo para um disco que pode ser encarado como um dos principais motivos pelo qual existe hoje o prog metal.

Awaken The Guardian solidificou o som que o Fates Warning já tinha demonstrado em seus dois trabalhos anteriores, Night Ön Brocken, de 84, praticamente uma demo alçada à condição de álbum, e The Spectre Within, de 85, que já demonstrava personalidade, embora as influências de Iron Maiden fossem ainda bastante perceptíveis. Aquele heavy metal com forte cacoete dos clássicos ingleses ainda estava lá, mas as composições de Jim Matheus, John Arch e Frank Aresti vinham carregadas de suas próprias características, sendo, talvez, a principal delas as constantes mudanças nos tempos das músicas. O Fates Warning ainda aprimorou seu som nos álbuns seguintes, mas Awaken The Guardian reserva pra si a condição de marco zero.

Esse foi o último álbum com a participação do vocalista John Arch, que deixou a banda e foi substituído por Ray Alder (que está na banda até hoje). O vocal de Alder combinou perfeitamente com a música desenvolvida pelo Fates Warning, mas os fãs sentem saudades de Arch. O primeiro vocalista tinha um estilo bastante peculiar, com agudos fortes, uma interpretação ímpar e, sobretudo, qualidade para reproduzir essas características ao vivo de forma praticamente perfeita.

Awaken The Guardian não é um clássico à toa. A primeira metade do álbum tem quatro músicas que estão entre as preferidas dos fãs até hoje, The Sorceress, Valley Of The Dolls, Fata Morgana e Guardian. A segunda metade começa com Prelude To Ruin e Giant’s Lore (Heart Of Winter), ambas com muitas mudanças de andamento e refrãos marcantes. A pequena instrumental Time Long Past serve de prelúdio para a última faixa, Exodus, uma das melhores de toda a carreira do Fates Warning e que resume, sozinha, toda a musicalidade do disco.

Nos bônus se destaca o DVD com o show em Sundance, de dezembro de 86. Trata-se de uma filmagem bastante amadora convertida e trabalhada para ficar em condições aceitáveis para esse lançamento. No entanto, a qualidade ainda é bastante sofrível, motivo pelo qual a banda até pede desculpas na introdução do show. Só que a qualidade é o de menos, já que essa é, provavelmente, a única gravação de um show da turnê de Awaken The Guardian. E a banda é praticamente perfeita no palco. O vocalista John Arch se destaca com uma performance acima da média, enquanto a dupla de guitarristas, Jim Matheus e Frank Aresti, consegue reproduzir de forma precisa o foi gravado nos álbuns. O baterista Steve Zimmerman e o baixista Joe DiBiase fazem suas partes adequadamente também, embora a qualidade do som do vídeo os prejudique em diversos momentos.

Um depoimento de um fã no encarte desse relançamento do Awaken The Guardian resume bem o sentimento da época e o impacto que o disco teve sobre ele. “Eles tinham o exato som que eu estava procurando em uma banda nova. O primeiro álbum que eles lançaram após eu me tornar fã foi o Awaken The Guardian. Eu estava muito interessado em saber o que eles iam fazer em seguida e não fiquei nem um pouco decepcionado. De fato, eu fiquei completamente estupefato. Eu devo ter ouvido esse disco uma mil vezes, conhecendo cada quebrada e cada volta no tempo (e tinha um monte delas)”.

Esse fã ainda elogia de forma bastante efusiva todo o disco, e conta que esteve no show de 86 em Sundance, quando entregou a Jim Matheus e John Arch a demo de sua banda e como, no dia seguinte, recebeu um telefonema do guitarrista, dando início a uma amizade que dura até hoje. A demo em questão era de uma banda chamada Majesty e o fã era o seu então jovem baterista, Mike Portnoy.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Symfonia: será que vai dar certo?


Quando uma banda surge já com o apelido de supergrupo as expectativas vão rápido para o alto. Nos últimos casos essas super bandas até tem conseguido certo sucesso, como rolou com o Chickenfoot e o Black Country Communion. Mas nem todas atingem o objetivo de conquistar rapidamente um espaço garantido entre os fãs somente graças ao renome de seus integrantes.

O mais novo dream team do heavy metal é o Symfonia. Timo Tolkki (guitarra), André Matos (vocal), Uli Kusch (bateria), Jari Kainulainen (baixo) e Mikko Härkin (teclado) juntos reúnem pré-requisitos e currículos suficientes para conquistar pelo menos o interesse do fã de heavy metal melódico. A previsão é a de que o quinteto comece a gravar seu primeiro álbum no final de 2010, para que o disco seja lançado no início do ano que vem, próximo à primeira aparição ao vivo do Symfonia, marcada para fevereiro, na Finlândia.

Mas se formos avaliar o histórico desses músicos é possível ver se desenhar um fim não muito distante para o quinteto. Por outro lado, uma análise mais otimista revela uma banda com potencial para ser uma das grandes no heavy metal melódico logo em seu primeiro álbum.

O primeiro caso a ser analisado é o do guitarrista Timo Tolkki. Grande responsável por transformar o Stratovarius num fenômeno do metal melódico, conseguindo emplacar pelo menos dois álbuns numa discografia essencial do estilo. Mas o músico se envolveu em diversos problemas pessoais, que culminaram numa separação esquisita entre ele e sua banda. Muito foi dito e desdito via mídia, mas o resultado é que o Stratovarius hoje, sem Tolkki, é apenas uma sombra do que foi num passado recente, enquanto o guitarrista não conseguiu levar sua banda seguinte, a Revolution Renaissance, adiante; graças a um profundo desinteresse do público, segundo ele, seu fim foi decretado com apenas dois álbuns lançados.

Outro a ter seu caso observado de perto é o de Uli Kusch. Embora seja um exímio baterista e um grande compositor, é sabido que Kusch falha no quesito grupo. Quando no Helloween, acabou entrando em atrito com seus ex-companheiros e, junto com Roland Grapow, montou o Masterplan, na época apelidado também de supergrupo. E o disco de estréia do Masterplan foi um grande sucesso, com músicas fantásticas e um desempenho acima da média de Kusch. Mas aí ele entrou novamente em atrito com seus companheiros e deixou a banda. Seus projetos seguintes, Beautiful Sin (com a excelente vocalista Magali Luyten) e o Ride The Sky (que teve seu fim precoce vinculado a um fracasso de vendas), tiveram apenas um disco cada, embora ambos tenham demonstrado muita qualidade.

Já o vocalista brasileiro André Matos é um caso a parte, embora tenha lá suas semelhanças com os casos de seus colegas de Symfonia. Quase uma unanimidade em seu país, o músico parecia fadado a ter uma história irretocável no Angra, quando um racha na banda o levou a outros ares. A continuidade de sua carreira se deu no Shaman, onde ampliou sua musicalidade, mas onde também encontrou problemas. Então decidiu seguir adiante com uma carreira solo, tendo lançado, até agora dois discos muito bons. E discos bons são uma constante em sua carreira, pois não há o que Matos tenha gravado que não seja digno de nota. 

O baixista do Symfonia é mais um que traz do passado algumas histórias não muito animadoras. Jari Kainulainen fez parte do auge do Stratovarius, mas se separou da banda (de forma bastante estranha) antes dos últimos fatos envolvendo a saída de Tolkki. Após isso integrou o Evergrey, com quem gravou o ótimo disco Torn (08), antes de abandonar o barco por melhores salários em outro grupo.

Após tudo isso é possível saber se a Symfonia vai funcionar? Não se pode afirmar isso. O que se pode fazer é torcer para que a música, enquanto for a motivação principal do quinteto, seja realmente boa como o histórico de seus músicos indica que será. E se esse histórico ficasse apenas relegado à música, poderíamos ser apenas otimistas com essa super banda. Como não é o caso, a gente também fica no aguardo de algum dos músicos pisar na bola e, com o perdão do trocadilho, atravessar a sinfonia.

domingo, 24 de outubro de 2010

Death Angel: São Paulo Bay Area

Em sua primeira passagem por São Paulo o Death Angel foi avassalador. Donos de um show potente, pesado e extremamente carismático, os thrashers norte-americanos impressionaram, e por sua vez, saíram impressionados com o público paulistano.

Liderados pelo vocalista Mark Osegueda e pelo excepcional guitarrista Rob Cavestany, o Death Angel subiu ao palco pouco antes das 21h30 e presenciou mosh pits e stage dives durante toda a sua apresentação. Até pensei, a princípio, que a freqüência e insistência dos brasileiros em cima do palco chegaria a incomodar os músicos. Mas eles não só incentivaram como Osegueda mesmo saltou em cima da galera no final da apresentação. Show de thrash metal não poderia mesmo ser diferente.

O set list priorizou dois períodos distintos e extremos da carreira da banda, priorizando os clássicos do primeiro disco, The Ultra-Violence (87), e do último, Relentless Retribution (10), mas não deixando de fora algumas faixas essenciais de seus outros álbuns.

I Chose The Sky, do novo álbum, foi a escolhida para abrir o show, seguida por Evil Priest e Buried Alive, num trinca que grande parte do público nem prestou muita atenção porque estava engajada numa roda tão grande que em alguns momentos a coisa parecia mesmo que duas torcidas uniformizadas rivais tinham se encontrado ali na frente do palco.

A pancadaria continuou com Voracious Souls e mais duas do novo disco, Relentless Retribution e Claws In So Deep. Seemingly Endless Time e Stop, primeiras a serem executadas do Act III (90), realmente tocaram o público, e pra mim esse foi o grande momento da noite. 3th Floor, This Hate e Throw To The Wolves, única do The Art Of Dying (04), formaram o final da primeira parte do show, quando a banda deixou o palco antes do encore.

Lord Of Hate, do Killing Season (08), reiniciou o show, mas já dando mostras de que o fim estava a poucas músicas dali, sobretudo porque a casa de show abrigaria outro evento após a apresentação do Death Angel.

Falling Asleep, Truce, Thrashers e Kill As One, que teve parte de The Ultra-Violence como intro, finalizaram a apresentação do Death Angel de forma estupenda, conseguindo arrancar reações muito emocionadas por parte do público, fãs que há vinte anos esperavam para ver esse ícone do thrash metal da Bay Area norte-americana.

E se o disco novo do Death Angel não agradou tanto assim, se comparado aos clássicos, é impossível dizer que as músicas novas não funcionem ao vivo, pois a banda faz tudo parecer clássico em cima do palco. A dupla Osegueda e Cavestany centraliza as atenções facilmente, com performances amplas e energéticas, enquanto o guitarrista Ted Aguilar faz suas bases entre headbangings e arremessos de palhetas para o público.

Muitos dos presentes, no entanto, sentiram a falta de Dennis Pepa e Andy Galeon, baixista e baterista da formação clássica da banda. Mesmo assim, é injusto que seus substitutos Damien Sisson e Will Carroll não sejam citados aqui, pois cumpriram seus papéis com qualidade de sobra. O baixista, sobretudo, deve ser muito citado nos comentários dos presentes, pois sua presença de palco é furiosa e totalmente condizente com a postura de thrasher.

Um dos melhores shows que tive a oportunidade de assistir. Espero que a promessa de Osegueda de que o Death Angel voltará logo a São Paulo seja realmente cumprida.