terça-feira, 3 de maio de 2011

Arte das capas: Dave Mckean

O ilustrador inglês Dave Mckean foi um dos revolucionários que viraram os quadrinhos norte-americanos do avesso no fim dos anos 80. Seus principais trabalhos, “Asilo Arkham”, com roteiro de Grant Morrison e “Orquídea Negra”, escrita por Neil Gaiman, além de todas as capas da série de Gaiman “Sandman”, ajudaram a estabelecer novos limites para as HQs como forma de arte, misturando pintura, desenhos, colagens e sobreposição de imagens para criar experiências visuais diferenciadas.

Mas ele também aplicou seu talento em outras áreas. Entre as quais, a criação de capas para LPs e CDs de artistas variados. No metal, a importância do seu trabalho é de especial importância, por ter influenciado uma boa parte dos artistas que se seguiram, especialmente depois que o advento do Photoshop possibilitou conseguir, por meio do computador, resultados semelhantes aos que ele já obtinha artesanalmente há mais de 20 anos. Usar a sobreposição de imagens para gerar efeitos surreais virou regra. Artistas como o brasileiro Gustavo Sazes (http://www.abstrata.net/) devem muito a Dave Mckean.

Para conhecer melhor o trabalho deste grande artista, visite http://www.mckean-art.co.uk/




segunda-feira, 25 de abril de 2011

Abandonando o navio

Na última semana, três boas bandas sofreram baixas significativas em seu line-up. Para começar, o vocalista Roy Khan, finalmente, anunciou sua saída do Kamelot. OK, isto não foi nenhuma surpresa, já que os americanos vinham excursionando sem seu vocalista norueguês, substituído por convidados, há algum tempo. Khan era o grande responsável pela identidade diferenciada da banda dentro do “universo cópia carbono” do heavy metal melódico, tendo um estilo muito pessoal, que já havia mostrado à frente do ótimo Conception. Mas se afastou da banda alegando esgotamento, e nem chegou a iniciar a turnê do último disco, “Poetry for the poisoned”.

Roy Khan, ao centro: fora.

As perspectivas para o Kamelot não são boas, se o caminho escolhido por eles daqui para frente for o mesmo seguido ao recrutar seu principal vocalista (supostamente) temporário, que foi Fabio Lione, do Rhapsody (of Fire). Substituir um vocalista único por um que pode até ser bom, mas é a própria encarnação dos clichês do estilo, não foi uma idéia feliz.

Mais surpreendente foi a notícia de que o guitarrista Jeff Loomis e o baterista Van Williams não fazem mais parte do Nevermore, reduzindo a banda ao vocalista Warrel Dane e o baixista Jim Sheppard, que está afastado por problemas de saúde. Ou seja, o Nevermore hoje se resume a Warrel Dane.

Jeff Loomis e Van Williams, 1º e 2º à esquerda: fora.

Os ex-membros alegaram “crises internas e problemas recorrentes” como as causas do rompimento. Pelo visto, já havia um racha entre os músicos, mas isto não era algo que viesse a público, anteriormente. O que transpareceu, e pode ser conseqüência das crises e problemas que os afetavam, foi uma queda na qualidade dos registros. O mais recente, “The obsidian conspiracy”(2010), mesmo tendo qualidades, rompeu com a tradição do Nevermore de sempre apresentar algum elemento novo e interessante em seus discos, sem perder seu estilo. É apenas mais do mesmo, e perde inclusive para os trabalhos solo de Dane (“Praises to the war machine”, de 2008) e Loomis (“Zero order phase”, instrumental, também de 2008).

Fica a dúvida sobre a possibilidade de existir um Nevermore sem os músicos que moldaram a sonoridade da banda.

Outra surpresa foi o Judas Priest, já em uma grande turnê de despedida das grandes turnês (vai entender...), perder seu guitarrista original, K. K. Downing, que decidiu se aposentar antes do restante da banda. Especulações sobre o estado de saúde do músico de 59 anos foram rechaçadas pelo próprio, que justificou sua decisão por estar tendo problemas de comunicação e relação com os colegas e seus empresários. O que faz parecer que a lendária banda anda se digladiando pelos dividendos da grande despedida. E não pouco, a ponto de levar alguém a abandonar, tão perto do fim, algo a que se dedicou por 43 anos.

K. K. Downing, 1º à esquerda: fora.

Pena, pois naquela que provavelmente será a última passagem do Judas pelo Brasil, repetindo a dobradinha com o Whitesnake que ocorreu em 2005, teremos um guitarrista substituto, um certo Richie Faulkner. Não é muito animador, mas eu vou estar lá, dia 10 de setembro.

Por outro lado, isto significa que a aposentadoria dos outros integrantes deve mesmo ser iminente. Dificilmente se pode pensar em um novo disco sem Downing. Se era mais uma daquelas despedidas de mentira, agora provavelmente será bem real.

sábado, 16 de abril de 2011

Joelho de Porco – “São Paulo – 1554/Hoje”

O Joelho de Porco aparece na Wikipédia como “um dos maiores grupos do rock-humor brasileiro”. Nada mais injusto. Embora suas letras contenham doses cavalares de humor, o Joelho foi sim uma das maiores bandas de rock que esse país já teve, e seu humor inteligente, bem diferente de coisas infantis como os Mamonas Assassinas da vida, estava contido em letras muito bem escritas. Sua discografia é bissexta e de qualidade irregular, mas este “São Paulo – 1554/Hoje”, de 1976, é sem dúvida um dos melhores discos de rock gravados no Brasil.

O núcleo central da banda eram o baixista e compositor Tico Terpins e o vocalista (que também fora baterista) Próspero Albanese. A performance do cantor, em especial, é espetacular. Músicas como “Aeroporto de Congonhas”, “Boeing 723897” e “São Paulo by day” são hinos do cotidiano maluco na metrópole. “Cruzei meus braços... fui um palhaço” e “A lâmpada de Edison” misturam ironia e poesia de forma única.

Outro erro que frequentemente se comete com o Joelho é considerar a banda como “precursora do punk brasileiro”. O que se ouve aqui é hard rock dos bons, bem composto e bem executado. Músicos acima de qualquer suspeita, como Mozart Mello e Wander Taffo, passariam pela banda no futuro, mas este disco conta com o guitarrista original Walter Baillot, que em nada fica devendo aos seus sucessores.

Como aperitivo, fiquem com a guitarraria insana e a crítica à classe média de “Meus 26 anos”:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

The Ride

O Mindflow cresce de qualidade a cada álbum. Seu último disco, 365, é mais direto e menos prog que o anterior, Destruction Device. E isso não é demérito. O acréscimo de peso em músicas sensivelmente mais curtas permite uma assimilação bem mais rápida.

Não que a simplicidade tenha tomado conta do som do Mindflow. Não é isso. Toda a técnica do quarteto está lá e as composições ainda abraçam características do prog metal em diversos momentos do disco. Mas a sensação é a de que os caras quiseram ir direto ao ponto.

E, na minha humilde opinião, eles acertaram completamente. The Ride, faixa que ganhou videoclipe com cenas tiradas das turnês, é uma das que melhor define o rumo que o som do Mindflow tomou nesse disco.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Os melhores de 2010

2010 está terminando. Hora de olhar para trás e ouvir novamente os lançamentos do ano e decidir aquela famosa lista de favoritos. E, tenho que admitir, 2010 foi bem legal para o heavy metal, com muitos discos de qualidade e algumas boas surpresas. Mas é impossível comentar álbum por álbum. Exatamente por isso será mais fácil analisar mês a mês e elencar aqueles que se destacaram.  

Janeiro começou fraco. Mesmo assim, Ironbound, dos veteranos thrashers do Overkill, agora no cast da Nuclear Blast, e To The Metal, do Gamma Ray, foram muito bem recebidos pelos fãs. Mas o grande destaque do mês é The Never Ending Way Of ORwarriOR, dos israelenses do Orphaned Land, um dos grandes discos de 2010.

Em fevereiro as coisas começaram a acelerar e muitas bandas conseguiram se destacar em meio a um mar de lançamentos. Qualquer um entre Universal, do Borknagar, Easton Hope, do Orden Ogan (uma das boas novidades da Alemanha), Everything Remains As It Never Was, do Eluveitie (que toca no Brasil em fevereiro de 2011) e Festival, do Jon Oliva’s Pain, poderia ser o destaque do mês. No entanto, essa honra é de Strings To A Web, do Rage. O trio alemão se superou e conseguiu superar seu (bom) disco anterior com uma folga enorme.

Março não conseguiu um representante que me agradasse a ponto de ser citado aqui, mas abril foi repleto de bons discos se você é apreciador de metal melódico. O Rhapsody Of Fire lançou o bom The Frozen Tears Of Angels, mostrando uma evolução monstruosa em seu tarantela metal, e o Avantasia concluiu sua trilogia com dois lançamentos simultâneos, Angel Of Babylon e The Wicked Symphony, onde o destaque é a constelação de convidados, em especial Klaus Meine, do Scorpions, e Jon Oliva, que teve uma participação brilhante na faixa Death Is Just A Felling, do Angel Of Babylon.

Três pancadarias monstruosas merecem serem citadas entre os destaques de Maio, Discipline Of Hate, do Korzus, Exhibit B: The Human Condition, do Exodus, e o auto-intitulado disco de estréia do Musica Diablo. Além disso o Nevermore lançou The Obsidian Conspiracy, e o Pain Of Salvation abraçou o rock dos anos 70 em seu Road Salt One. O grande destaque é a brasileira Madgator, que enfim conseguiu lançar seu primeiro álbum, auto-intitulado, mostrando um hard rock/heavy metal muito acima da média.

Dois álbuns se destacaram sozinhos em junho e julho, respectivamente. The Seraphic Clockwork, do Vanden Plas, já resenhado neste blogue, e At The Edge Of Time, nono álbum do Blind Guardian, que era muito aguardado pelos fãs e agradou de forma quase unânime.

Agosto foi um mês bastante movimentado, com os lançamentos de Aqua, do Angra, e Heaven’s Venom, dos canadenses do Kataklysm. Dois discos poderiam ser citados como destaque do mês, Blood Of The Nations, do reformulado Accept e The Final Frontier, do Iron Maiden. Fico com o álbum dos alemães, que conseguiram soar dentro de suas características, mas com uma pegada rejuvenescida.

Poetry For The Poisoned, do Kamelot, Made Of Metal, do Halford, Consequence Of Power, do Circle II Circle, Sitra Ahra, do Therion, Static Impulse, de James Labrie, e Abrahadabra, do Dimmu Borgir colocam o mês como um dos mais intensos de 2010. O grande destaque fica com Relentless Retribution, do Death Angel, cuja turnê trouxe a banda ao Brasil pela primeira vez.

Outubro teve a tentativa do Helloween de voltar ao heavy metal com o razoável 7 Sinners. Mas quem recuperou algum status foi o Grave Digger, com o ótimo The Clans Will Rise Again. Os veteranos do Forbidden voltaram à cena com o pesadíssimo Omega Wave, e o grande destaque fica sendo Unrestricted, do Symphorce, já resenhado neste blogue.

Os lançamentos de novembro foram completamente ofuscados por Victims Of The Modern Age, novo álbum do projeto Star One, de Arjen Lucassen, dono também do Ayreon e do Guilt Machine. O disco traz atuações belíssimas dos vocalistas Floor Jansen, Damien Wilson, Dan Swanö e Russell Allen, além de conseguir se igualar ao disco de estréia, Space Metal, de 2002, algo que nem os fãs mais fanáticos poderiam imaginar.

Dezembro ainda não terminou, mas acredito que todos devem concordar comigo que nada baterá The Wörld Is Yours, do Motörhead, certo?

Em síntese acredito que, se tivesse que escolher apenas cinco dentre todos os que mereceram serem citados, acho que ficaria com os álbuns de Orphaned Land, Rage, Madgator, Symphorce e Star One, abrindo aí a possibilidade de um deles cair fora para abrigar o próximo clássico de Lemmy e Cia.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Awaken The Guardian remasterizado

Em 2005 a gravadora Metal Blade fez um relançamento especial do álbum Awaken The Guardian, do Fates Warning, lançado originalmente em 86. Nesse relançamento o áudio foi todo remasterizado, além de terem sido incluídos dois discos com material bônus. Um pacote bastante justo para um disco que pode ser encarado como um dos principais motivos pelo qual existe hoje o prog metal.

Awaken The Guardian solidificou o som que o Fates Warning já tinha demonstrado em seus dois trabalhos anteriores, Night Ön Brocken, de 84, praticamente uma demo alçada à condição de álbum, e The Spectre Within, de 85, que já demonstrava personalidade, embora as influências de Iron Maiden fossem ainda bastante perceptíveis. Aquele heavy metal com forte cacoete dos clássicos ingleses ainda estava lá, mas as composições de Jim Matheus, John Arch e Frank Aresti vinham carregadas de suas próprias características, sendo, talvez, a principal delas as constantes mudanças nos tempos das músicas. O Fates Warning ainda aprimorou seu som nos álbuns seguintes, mas Awaken The Guardian reserva pra si a condição de marco zero.

Esse foi o último álbum com a participação do vocalista John Arch, que deixou a banda e foi substituído por Ray Alder (que está na banda até hoje). O vocal de Alder combinou perfeitamente com a música desenvolvida pelo Fates Warning, mas os fãs sentem saudades de Arch. O primeiro vocalista tinha um estilo bastante peculiar, com agudos fortes, uma interpretação ímpar e, sobretudo, qualidade para reproduzir essas características ao vivo de forma praticamente perfeita.

Awaken The Guardian não é um clássico à toa. A primeira metade do álbum tem quatro músicas que estão entre as preferidas dos fãs até hoje, The Sorceress, Valley Of The Dolls, Fata Morgana e Guardian. A segunda metade começa com Prelude To Ruin e Giant’s Lore (Heart Of Winter), ambas com muitas mudanças de andamento e refrãos marcantes. A pequena instrumental Time Long Past serve de prelúdio para a última faixa, Exodus, uma das melhores de toda a carreira do Fates Warning e que resume, sozinha, toda a musicalidade do disco.

Nos bônus se destaca o DVD com o show em Sundance, de dezembro de 86. Trata-se de uma filmagem bastante amadora convertida e trabalhada para ficar em condições aceitáveis para esse lançamento. No entanto, a qualidade ainda é bastante sofrível, motivo pelo qual a banda até pede desculpas na introdução do show. Só que a qualidade é o de menos, já que essa é, provavelmente, a única gravação de um show da turnê de Awaken The Guardian. E a banda é praticamente perfeita no palco. O vocalista John Arch se destaca com uma performance acima da média, enquanto a dupla de guitarristas, Jim Matheus e Frank Aresti, consegue reproduzir de forma precisa o foi gravado nos álbuns. O baterista Steve Zimmerman e o baixista Joe DiBiase fazem suas partes adequadamente também, embora a qualidade do som do vídeo os prejudique em diversos momentos.

Um depoimento de um fã no encarte desse relançamento do Awaken The Guardian resume bem o sentimento da época e o impacto que o disco teve sobre ele. “Eles tinham o exato som que eu estava procurando em uma banda nova. O primeiro álbum que eles lançaram após eu me tornar fã foi o Awaken The Guardian. Eu estava muito interessado em saber o que eles iam fazer em seguida e não fiquei nem um pouco decepcionado. De fato, eu fiquei completamente estupefato. Eu devo ter ouvido esse disco uma mil vezes, conhecendo cada quebrada e cada volta no tempo (e tinha um monte delas)”.

Esse fã ainda elogia de forma bastante efusiva todo o disco, e conta que esteve no show de 86 em Sundance, quando entregou a Jim Matheus e John Arch a demo de sua banda e como, no dia seguinte, recebeu um telefonema do guitarrista, dando início a uma amizade que dura até hoje. A demo em questão era de uma banda chamada Majesty e o fã era o seu então jovem baterista, Mike Portnoy.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Symfonia: será que vai dar certo?


Quando uma banda surge já com o apelido de supergrupo as expectativas vão rápido para o alto. Nos últimos casos essas super bandas até tem conseguido certo sucesso, como rolou com o Chickenfoot e o Black Country Communion. Mas nem todas atingem o objetivo de conquistar rapidamente um espaço garantido entre os fãs somente graças ao renome de seus integrantes.

O mais novo dream team do heavy metal é o Symfonia. Timo Tolkki (guitarra), André Matos (vocal), Uli Kusch (bateria), Jari Kainulainen (baixo) e Mikko Härkin (teclado) juntos reúnem pré-requisitos e currículos suficientes para conquistar pelo menos o interesse do fã de heavy metal melódico. A previsão é a de que o quinteto comece a gravar seu primeiro álbum no final de 2010, para que o disco seja lançado no início do ano que vem, próximo à primeira aparição ao vivo do Symfonia, marcada para fevereiro, na Finlândia.

Mas se formos avaliar o histórico desses músicos é possível ver se desenhar um fim não muito distante para o quinteto. Por outro lado, uma análise mais otimista revela uma banda com potencial para ser uma das grandes no heavy metal melódico logo em seu primeiro álbum.

O primeiro caso a ser analisado é o do guitarrista Timo Tolkki. Grande responsável por transformar o Stratovarius num fenômeno do metal melódico, conseguindo emplacar pelo menos dois álbuns numa discografia essencial do estilo. Mas o músico se envolveu em diversos problemas pessoais, que culminaram numa separação esquisita entre ele e sua banda. Muito foi dito e desdito via mídia, mas o resultado é que o Stratovarius hoje, sem Tolkki, é apenas uma sombra do que foi num passado recente, enquanto o guitarrista não conseguiu levar sua banda seguinte, a Revolution Renaissance, adiante; graças a um profundo desinteresse do público, segundo ele, seu fim foi decretado com apenas dois álbuns lançados.

Outro a ter seu caso observado de perto é o de Uli Kusch. Embora seja um exímio baterista e um grande compositor, é sabido que Kusch falha no quesito grupo. Quando no Helloween, acabou entrando em atrito com seus ex-companheiros e, junto com Roland Grapow, montou o Masterplan, na época apelidado também de supergrupo. E o disco de estréia do Masterplan foi um grande sucesso, com músicas fantásticas e um desempenho acima da média de Kusch. Mas aí ele entrou novamente em atrito com seus companheiros e deixou a banda. Seus projetos seguintes, Beautiful Sin (com a excelente vocalista Magali Luyten) e o Ride The Sky (que teve seu fim precoce vinculado a um fracasso de vendas), tiveram apenas um disco cada, embora ambos tenham demonstrado muita qualidade.

Já o vocalista brasileiro André Matos é um caso a parte, embora tenha lá suas semelhanças com os casos de seus colegas de Symfonia. Quase uma unanimidade em seu país, o músico parecia fadado a ter uma história irretocável no Angra, quando um racha na banda o levou a outros ares. A continuidade de sua carreira se deu no Shaman, onde ampliou sua musicalidade, mas onde também encontrou problemas. Então decidiu seguir adiante com uma carreira solo, tendo lançado, até agora dois discos muito bons. E discos bons são uma constante em sua carreira, pois não há o que Matos tenha gravado que não seja digno de nota. 

O baixista do Symfonia é mais um que traz do passado algumas histórias não muito animadoras. Jari Kainulainen fez parte do auge do Stratovarius, mas se separou da banda (de forma bastante estranha) antes dos últimos fatos envolvendo a saída de Tolkki. Após isso integrou o Evergrey, com quem gravou o ótimo disco Torn (08), antes de abandonar o barco por melhores salários em outro grupo.

Após tudo isso é possível saber se a Symfonia vai funcionar? Não se pode afirmar isso. O que se pode fazer é torcer para que a música, enquanto for a motivação principal do quinteto, seja realmente boa como o histórico de seus músicos indica que será. E se esse histórico ficasse apenas relegado à música, poderíamos ser apenas otimistas com essa super banda. Como não é o caso, a gente também fica no aguardo de algum dos músicos pisar na bola e, com o perdão do trocadilho, atravessar a sinfonia.

domingo, 24 de outubro de 2010

Death Angel: São Paulo Bay Area

Em sua primeira passagem por São Paulo o Death Angel foi avassalador. Donos de um show potente, pesado e extremamente carismático, os thrashers norte-americanos impressionaram, e por sua vez, saíram impressionados com o público paulistano.

Liderados pelo vocalista Mark Osegueda e pelo excepcional guitarrista Rob Cavestany, o Death Angel subiu ao palco pouco antes das 21h30 e presenciou mosh pits e stage dives durante toda a sua apresentação. Até pensei, a princípio, que a freqüência e insistência dos brasileiros em cima do palco chegaria a incomodar os músicos. Mas eles não só incentivaram como Osegueda mesmo saltou em cima da galera no final da apresentação. Show de thrash metal não poderia mesmo ser diferente.

O set list priorizou dois períodos distintos e extremos da carreira da banda, priorizando os clássicos do primeiro disco, The Ultra-Violence (87), e do último, Relentless Retribution (10), mas não deixando de fora algumas faixas essenciais de seus outros álbuns.

I Chose The Sky, do novo álbum, foi a escolhida para abrir o show, seguida por Evil Priest e Buried Alive, num trinca que grande parte do público nem prestou muita atenção porque estava engajada numa roda tão grande que em alguns momentos a coisa parecia mesmo que duas torcidas uniformizadas rivais tinham se encontrado ali na frente do palco.

A pancadaria continuou com Voracious Souls e mais duas do novo disco, Relentless Retribution e Claws In So Deep. Seemingly Endless Time e Stop, primeiras a serem executadas do Act III (90), realmente tocaram o público, e pra mim esse foi o grande momento da noite. 3th Floor, This Hate e Throw To The Wolves, única do The Art Of Dying (04), formaram o final da primeira parte do show, quando a banda deixou o palco antes do encore.

Lord Of Hate, do Killing Season (08), reiniciou o show, mas já dando mostras de que o fim estava a poucas músicas dali, sobretudo porque a casa de show abrigaria outro evento após a apresentação do Death Angel.

Falling Asleep, Truce, Thrashers e Kill As One, que teve parte de The Ultra-Violence como intro, finalizaram a apresentação do Death Angel de forma estupenda, conseguindo arrancar reações muito emocionadas por parte do público, fãs que há vinte anos esperavam para ver esse ícone do thrash metal da Bay Area norte-americana.

E se o disco novo do Death Angel não agradou tanto assim, se comparado aos clássicos, é impossível dizer que as músicas novas não funcionem ao vivo, pois a banda faz tudo parecer clássico em cima do palco. A dupla Osegueda e Cavestany centraliza as atenções facilmente, com performances amplas e energéticas, enquanto o guitarrista Ted Aguilar faz suas bases entre headbangings e arremessos de palhetas para o público.

Muitos dos presentes, no entanto, sentiram a falta de Dennis Pepa e Andy Galeon, baixista e baterista da formação clássica da banda. Mesmo assim, é injusto que seus substitutos Damien Sisson e Will Carroll não sejam citados aqui, pois cumpriram seus papéis com qualidade de sobra. O baixista, sobretudo, deve ser muito citado nos comentários dos presentes, pois sua presença de palco é furiosa e totalmente condizente com a postura de thrasher.

Um dos melhores shows que tive a oportunidade de assistir. Espero que a promessa de Osegueda de que o Death Angel voltará logo a São Paulo seja realmente cumprida.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Symphorce, Unrestricted

Desde que foi criado, em 98, pelo vocalista Andy B. Franck após deixar a banda de prog metal alemã Ivanhoe, o Symphorce nunca conseguiu atingir um posto de grande destaque. Mesmo mantendo uma razoável regularidade e uma sensível evolução na qualidade de sua música, o quinteto alemão parece não muito preocupado em usar todos os elementos que seriam capazes de agradar de forma mais direta e fácil o seu público alvo.

Por outro lado, não agradar a todos nunca foi sinônimo de qualidade no heavy metal, de forma que o Symphorce chega muito bem ao seu sétimo álbum mantendo diversas características que se tornaram elementos chaves de sua música, mas conseguindo agregar novos e resgatar detalhes abandonados ou suavizados em momentos anteriores.

Unrestricted é, sem dúvida alguma, um bom álbum. Não consegue superar a dupla anterior, GodSpeed (05) e Become Death (07), mas graças a uma regularidade impressionante que o Symphorce consegue imprimir em seus trabalhos, é possível colocá-lo lado a lado a qualquer um de seus antecessores sem que suas disparidades sejam percebidas sem o emprego de muita atenção.

A primeira faixa, The Eternal, é típica dos alemães. A cadência prioriza o peso, destacando o baixo de Dennis Wohlbold e o peso das guitarras, enquanto os tradicionais efeitos eletrônicos pontuam positivamente.

Until It’s Over, The Last Decision e Worlds Seem To Collide destacam a qualidade criativa dos guitarristas Cedric C. Dupond e Markus Pohl, que nunca se rendem ao exibicionismo. Em certos momentos pode-se notar um flerte com as guitarras típicas do power metal alemão, como no riff e no refrão de The Waking Hour.

Em diversos momentos de Unrestricted é possível encontrar uma sonoridade que mescla o tradicionalismo do heavy metal com passagens soturnas semelhantes à de bandas como o Paradise Lost. Tal característica marcou o primeiro álbum do Symphorce, Truth Of Promises (99) e nunca foi abandonada pela banda, embora tenha sido suavizada em seus últimos trabalhos. Neste novo álbum, no entanto, podemos notar tal sonoridade em várias faixas, mas Whatever Hurts é a que mais se destaca nesse aspecto.

E Andy B. Franck merece seu próprio parágrafo, já que é em Unrestricted que ele conseguiu registrar sua melhor performance até hoje, soando muito confortável nessa sonoridade moderna e cadenciada que sua banda pratica. É possível deduzir que no Symphorce Franck é livre para ousar com sua voz, indo desde seus costumeiros agudos até os vocais mais agressivos e emocionais de Do You Ever Wonder, ao contrário do que acontece em sua outra banda, o Brainstorm, onde o vocalista parece seguir uma linha vocal mais tradicional do heavy metal.

Unrestricted não vai colocar o Symphorce entre as bandas mais populares do heavy metal, sobretudo porque sua proposta de incrementar o metal tradicional com modernismos ainda é vista de forma desconfiada por grande parte do público headbanger. No entanto, os fãs da banda não ficarão insatisfeitos, pois se trata de um disco elegante, pesado e tecnicamente impecável, o que, em outras palavras, é a mesma coisa que dizer que se trata de um típico trabalho do Symphorce.

Imagens: http://www.myspace.com/symphorcepower

sábado, 9 de outubro de 2010

Estaria o Rage trilhando o caminho do Savatage?

Em 1999, próximo ao lançamento do álbum Ghosts, Peavy Wagner se viu sozinho no Rage quando o restante da banda resolveu largar mão do heavy metal e se dedicar a uma banda de pop rock. Peavy, àquela altura, era a figura central acumulando grande parte da composição de música e letra da banda, então os fãs acabaram sentindo mesmo apenas a saída do baterista Chris Efthimiadis. Chris já era membro de longa data do Rage e fizera parte da formação considerada clássica (com o guitarrista Manni Schmidt) participando de álbuns como Perfect Man (88) e The Missing Link (93), álbuns até hoje saudados e, no ponto de vista de alguns fãs mais tradicionais, nunca superados.

Para o lugar de Chris veio Mike Terrana, que hoje já não está mais no Rage, e para o lugar da dupla Sven Fischer e Spiros Efthimiadis foi chamado o guitarrista russo Victor Smolski.

Smolski era razoavelmente desconhecido, mas conquistou seu espaço e, aos poucos, foi se tornando cada vez mais importante para o Rage, tornando-se o produtor, o principal compositor e, possivelmente, a chave para o sucesso tardio que a banda tem encontrado nos últimos anos. As conquistas do último álbum, Strings To A Web, lançado no início desse ano, são indicadores dessa façanha, tendo levado a banda aos trinta primeiros nos charts comuns da Alemanha e a uma renovação de seu contrato com a Nuclear Blast, a grande gravadora de heavy metal na atualidade.

Mas uma das grandes conquistas de Smolski me incomoda por se parecer demais com uma história já conhecida e documentada com um final infeliz.

O guitarrista tornou-se o grande parceiro de Peavy na fusão de heavy metal com orquestra, algo que sempre esteve em pauta com o Rage. E, nos últimos álbuns, Smolski manteve essa ligação com músicas como Lord Of The Flies e Empty Hollow. Junto a isso, a banda vinha tocando em shows muito procurados acompanhados de orquestra. Essa união havia sido batizada de Lingua Mortis Orchestra ainda em 96, quando Peavy havia realizado seu sonho de unir o Rage aos instrumentos clássicos no álbum Lingua Mortis.

Graças a esse sucesso, e não querendo prejudicar o heavy metal da banda, Peavy e Smolski decidiram que a Lingua Mortis Orchestra, a partir de então, será um projeto à parte, com seus próprios álbuns e shows, deixando o Rage livre para seguir adiante sua história.

A LMO terá seus lançamentos também através da Nuclear Blast e, sendo desvinculada do Rage, embora sendo em essência o próprio Rage, terá outros músicos convidados, ampliando o potencial das músicas, que serão totalmente orquestradas.

Em essência uma história muito parecida com o que aconteceu com o Savatage e o projeto Trans-Siberian Orchestra, que culminou com o fim da banda e o sucesso estrondoso da TSO.

No entanto, à época, a banda norte-americana não passava por um período muito bom. Embora tivesse lançado três grandes álbuns na seqüência, Dead Winter Dead (95), The Wake Of Magellan (98) e Poets And Madmen (01), a formação sofria com as idas e vindas do guitarrista Al Pitrelli, e a saída de Zak Stevens, a voz principal da banda desde 93. Isso aliado à demanda pela TSO fez com o Savatage entrasse num torpor que o mantém inativo até hoje.

Já a banda alemã desfruta de uma situação diferente, com um crescimento bastante notável com os últimos álbuns e uma formação até então sólida (o último membro a entrar na banda, o baterista Andre Hilgers, já gravou dois álbuns e foi totalmente aceito pelos fãs). São indícios de que sua carreira pode não ser ofuscada pela Lingua Mortis Orchestra e que esses dois lados do Rage poderão coexistir sem problemas conjugais.

Mas que a história é assustadoramente parecida com a do Savatage, isso é.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

E o mundo perde Steve Lee

Ainda não completamente recuperado da perda de Ronnie James Dio, o mundo perdeu outra das grandes vozes do rock: Steve Lee morreu ontem nos EUA em uma viagem de moto.

E se o vocalista da banda de hard rock suíça Gotthard não tinha um histórico tão grandioso quanto Dio, o mesmo não podia ser dito de suas qualidades como cantor. Lee era o grande destaque de sua banda tanto em estúdio quanto nos shows, mostrando que estar à frente de uma banda era a sua grande vocação.

Lee não será lembrado apenas por ser um grande cantor de hard rock no Gotthard, mas também por sua espetacular contribuição no projeto Ayreon, de Arjen Lucassen, no álbum 01011001, mostrando uma versatilidade que poucos botavam fé.

Um grande vocalista.

Steve Lee 1963-2010

sábado, 25 de setembro de 2010

Hypocrisy destroys São Paulo


Quem diria que uma quarta-feira despretensiosa seria dona de um dos melhores shows a que pude assistir até hoje? Pois foi exatamente isso que aconteceu no último dia 22, quando os suecos do Hypocrisy fizeram sua primeira e única apresentação no Brasil, como parte da turnê do último álbum, A Taste Of Extreme Divinity. E desde a entrada do público era possível identificar fãs que esperavam muitos e muitos anos pela oportunidade de ver a lenda Peter Tägtgren e seus companheiros.

Antes, no entanto, tivemos a abertura com o Genocídio, que fez uma apresentação muito competente e completamente condizente com a banda principal da noite. Os caras acabaram se lançar seu sétimo álbum, The Clan, e com certeza fizeram bom uso do palco, pois seu show foi muito bom.

A espera pelo Hypocrisy foi recompensada com um show espetacular. Mesmo com os limitadores impostos pela casa de shows, como o palco minúsculo, os suecos venceram pela qualidade de sua história: músicos muito experientes e um repertório que soube agradar a todos.

E o show conseguiu ser realmente um best of do Hypocrisy; de seus onze álbuns apenas o Catch 22 não teve sua representante no setlist. Algumas músicas apareceram apenas em medleys, mas mesmo assim foi o suficiente para que o fã tivesse a impressão de ter sido contemplado da melhor forma possível.

O show teve início com duas das melhores do último álbum, Valley Of The Damned e Hang Him High, que foram sendo sucedidas por clássico atrás de clássico dos suecos. Não faltaram Fractured Millenium, The Fourth Dimension, Killing Art, A Coming Race, Penetralia e Adjusting The Sun. Os álbuns mais novos também mostraram força, com a “romântica”, segundo Tägtgren, Let The Knife Do The Talking e Warpath, ambas do Virus.

Mas duas músicas devem ser mencionadas como destaque, pois a reação que causaram no público foi realmente impressionante. Eraser, do The Arrival, e Roswell 47, do Abducted. A segunda, inclusive, foi a responsável por finalizar a apresentação dos caras após aproximadamente uma hora e quarenta e cinco minutos de show.

Para quem enfrentou viagem para ver o Hypocrisy, seja de carro, avião ou ônibus, a sensação é a de que todo o cansaço valeu à pena e seria tudo refeito numa próxima oportunidade. Para os paulistanos, fica o orgulho de ter sido a única cidade a receber uma das grandes bandas dos anos 90 e que ainda é sinônimo de qualidade extrema no heavy metal.


domingo, 19 de setembro de 2010

Quem vai ocupar a vaga de Mike Portnoy?


Mike Portnoy anunciou que estava deixando o Dream Theater porque já não conseguia com a banda o mesmo grau de satisfação que tem encontrado com seus projetos paralelos. O resto do Dream Theater, por sua vez, anunciou que sente a decisão do baterista, mas que não vai parar suas atividades e que é bem provável que o novo álbum dos caras chegue às lojas logo no início de 2011.

Mas os fãs sentiram demais a separação e desde que o anúncio de Portnoy foi publicado milhares de teorias e temores foram se espalhando pela internet, grande parte deles se referindo a um possível fim do Dream Theater. Mas com a afirmação da banda de que o show vai continuar, os fãs direcionaram seu poder de especulação para outro tópico: quem irá assumir a vaga aberta por Portnoy?

De cara uma análise superficial já limita bem a imensa quantidade de candidatos, pois a vaga de Portnoy não se refere apenas à bateria. O cara era um dos maiores participantes do processo criativo do Dream Theater, no que se refere à música e letras, além de assumir muitas das responsabilidades da banda até então, desde a produção dos álbuns até a decisão sobre setlists de shows, cronogramas, edição e orientação dos seus produtos. Fora tudo isso, o baterista era o canal de comunicação mais ativo entre a banda e seu fã.

Tudo isso faz crer que o Dream Theater não vai à busca de um baterista que seja um clone de Portnoy, e sim de alguém cuja qualidade técnica seja o suficiente para a banda, mas que acrescente algo, ao invés apenas de conseguir executar o que já existe.

E muitos nomes têm surgido nas listas de discussão. Alguns causam calafrios nos fãs, enquanto outros são julgados como perfeitos, se não fossem impossíveis, como Neil Peart, por exemplo.

Virgil Donati aparentemente é o preferido dos fãs. Tem uma carreira sólida no prog metal e técnica acima de qualquer suspeita, além de já ter a experiência de ter trabalhado com o ex-Dream Theater Derek Sherinian.

O austríaco Thomas Lang é outro dos preferidos. Alguns fãs torcem o nariz, pois acham que ele não teria o punch necessário para substituir Portnoy. Mesmo assim, ele é lembrado constantemente nas discussões.

Outro que tem ganhado destaque nos últimos dias é Marco Minnemann, que tem em seu currículo gravações com bandas de metal extremo com orientação prog. É muito elogiado pelas performances nos últimos álbuns do Illogicist e do Ephel Duath.

Muitos brasileiros gostariam de ver Aquiles Priester no Dream Theater, enquanto outros argumentam a favor de Joey Jordison e Mike Terrana. Esses, no entanto, causam mais reações de repulsa do que de aceitação nos fãs mais die hard da banda norte-americana, sinalizando que dificilmente seriam aceitos como substitutos do ídolo Portnoy.

Outros nomes são citados a todo instante. Alguns até causam aquela sensação de que poderiam funcionar bem na banda, como Tomas Haake (do Meshuggah) e Gavin Harrison (do Porcupine Tree). E eu, como fã, também especulo e faço campanha por aquele que acho mais adequado para ocupar a vaga deixada por Portnoy: John Macaluso, do Ark.

Mas a teoria mais aceita como provável, e que por acaso também é a maior esperança do fã do Dream Theater, é a de que o próprio Portnoy grave a bateria do próximo álbum da banda. Na cabeça do fã é quase impossível existir Dream Theater sem Mike Portnoy, e isso, torcem eles, logo ficaria claro também para os músicos, que em breve acertariam seus problemas retomando do ponto onde se separaram.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O fim do Metalium

O Metalium anunciou seu fim. E o que começou de maneira surpreendentemente boa está programado para terminar em 2011 estacionado entre o mediano e o ruim.

A carreira dessa banda foi condenada pelo exagero de qualidade de seu primeiro álbum, Millenium Metal - Chapter One, de 1999, uma vez que os caras nunca mais conseguiram atingir algo razoavelmente próximo dele.

É certo que muito colaborou para o grande sucesso desse primeiro disco ter em sua formação músicos de talento e, até então, relegados ao underground alemão, e dois nomes de muito peso, Mike Terrana e Chris Caffery.

Terrana contribuiu não só com sua já conhecida qualidade técnica e a pegada violentíssima na bateria, como acrescentou narrações na introdução e no encerramento do álbum. Seu entrosamento com o baixista, e principal compositor, Lars Ratz, dava sinais até de que o Metalium poderia surgir, enfim, como a banda principal do nômade Mike Terrana.

Já Caffery formou com Mathias Lange uma das duplas de guitarristas mais promissoras em muito tempo. Impossível ficar citando riffs e solos de destaque, pois o álbum tem muito a mostrar nesse aspecto.

Fora isso tudo, o Metalium tinha como trunfo a voz de Henning Basse, ótimo vocalista que despontava como revelação na Alemanha tendo no currículo uma breve passagem pelo Brainstorm.

Mas Caffery e Terrana não ficaram para ver qual seria o destino da banda após o debut, e a partir daí as coisas foram decaindo álbum após álbum. E o primeiro disco foi aquilo, um primeiro passo que não conseguiu um sucessor à altura.

Os capítulos dois e três da saga dos metalianos, o conceito central das letras da banda, ainda conseguiram mostrar algumas faixas de qualidade, resquícios da criatividade extrema do primeiro disco. Já As One, a quarta parte da história, entregou um desgaste que nem a voz privilegiada de Basse conseguiu amenizar.

Os capítulos cinco e seis até podem ser vistos como uma espécie de recomeço. O baterista Michael Ehré passou a assinar mais (boas) composições e a banda se estabilizou definitivamente, lançando inclusive um segundo DVD. Nothing To Undo, o sexto capítulo, consegue até chamar a atenção com umas poucas músicas bastante convincentes, mas não o suficiente para tapar o buraco que as falhas já tinham aberto.

O fim, infelizmente, fica com os capítulos sete e oito, que ganham bastante notoriedade por serem exatamente os piores da carreira dos caras. Grounded, o último álbum até então, é bastante inferior, inclusive, ao seu antecessor, que já não era grande coisa.

Fica parecendo que a banda só tinha gás para um disco, o que não era verdade. Seus DVDs, inclusive, mostram músicos muito a fim de jogo em apresentações esforçadas e convincentes.

O fim, de acordo com a notícia postada no último dia 13 no site oficial da banda, se deve aos membros atuais terem muitas responsabilidades pessoais e profissionais para dividir com o Metalium. No entanto, a banda ainda fará alguns shows para um DVD e um disco que trará faixas ao vivo e mais algumas faixas inéditas.

Quando Millenium Metal - Chapter One foi saudado como um dos melhores álbuns de 1999 todos só conseguiam enxergar o Metalium como um das grandes bandas da década seguinte. Hoje é apenas uma grande decepção e um desperdício enorme de talento.

domingo, 12 de setembro de 2010

Highland Farewell


Servindo como uma espécie de aperitivo pré-lançamento do novo álbum, The Clans Will Rise Again, agendado para o primeiro dia de Outubro, o Grave Digger lançou recentemente o clipe para a faixa Highland Farewell.

Trata-se do primeiro disco com o novo guitarrista Axel "Ironfinger" Ritt (veterano da cena alemã, e um dos líderes do Domain), que entrou na banda, a princípio, apenas para completar a turnê do último álbum, mas que acabou ficando com a vaga em definitivo.

Uma música é pouco para definir o futuro do Grave Digger que, embora tenha lá sua parcela de fãs e defensores radicais, não apresenta um álbum reconhecidamente grandioso desde que o guitarrista Uwe Lullis deixou a banda após a bem sucedida trilogia composta por Tunes Of War, Knights Of The Cross e Excalibur. Highland Farewell, no entanto, nos deixa margem para a esperança, pois é provavelmente a melhor música da banda desde os clássicos dos álbuns citados acima.

domingo, 5 de setembro de 2010

Sitra Ahra e o “novo” Therion

Em 2007 o Therion alcançou seu ápice de criatividade com o álbum duplo Gothic Kabbalah. E tal constatação era facilmente observada, já que até esse CD a música da banda liderada pelo guitarrista sueco Christofer Johnsson consistia de algo razoavelmente simples enfeitado com corais e passagens orquestradas.

Esse ápice de criatividade se deve, em muito, ao fato das músicas de Gothic Kabbalah terem sido compostas não só por Johnsson, e sim pela banda toda, que naquela época tinha os irmãos Kristian e Johan Niemann, na guitarra e baixo respectivamente, o excepcional baterista (e guitarrista, e vocalista...) Peter Karlsson, além do grande Mats Léven entre os vocalistas. Tal expediente já havia se mostrado nos dois álbuns anteriores, Sirius B e Lemuria, mas com intensidade e resultados muito inferiores.

Pela primeira vez o Therion se mostrava realmente como uma banda estabilizada, com membros definidos e todos envolvidos com o processo de criação das músicas. E isso se refletiu em um CD de muitas qualidades. Graças a isso, o líder Johnsson resolveu demitir todo mundo.

Minha opinião, na época, é a de que foi uma decisão errada. No entanto, Johnsson sempre soube pra onde levar o Therion, e deve ter achado que era hora de retomar sua criação de volta para si e redirecionar sozinho o som que seria desenvolvido pela nova formação.

Depois de muito tempo, muitas especulações e uma nova formação, foi anunciado Sitra Arha para final de setembro, junto com milhares de especulações sobre o que esse novo Therion apresentaria.

Ainda é cedo para avaliar, mas graças a uma promoção da gravadora Nuclear Blast, direcionada aos fãs da banda, foi disponibilizado o download da faixa título do novo álbum a pouco mais de uma semana atrás.

E o que eu temia que acontecesse foi exatamente o que aconteceu. O Therion aparentemente retrocedeu e resgatou aquele som simples, mas pomposo, dos álbuns anteriores ao Gothic Kabbalah, mesclando riffs excessivamente simples, bases bastante genéricas, orquestrações e muitos coros e vocais.

Claro, essa é uma primeira impressão baseada em apenas uma das faixas do álbum. Existe esperança de que seja a impressão errada. Mas é impossível deixar passar o sentimento de que Johnsson pisou no tomate. 

A nova formação faz a sua parte, no entanto. Os músicos não têm muito que fazer dentro da limitação que a música impõe, mas no pouco que podem mostram que são músicos adequados, não escolhidos por acaso. Mas são meros coadjuvantes perante os vocais e arranjos. Como Johnsson deve gostar que sejam. Infelizmente.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Jorn Lande e o MKIII do Masterplan

Qual terá sido o motivo que levou Jorn Lande a voltar para o Masterplan? Não tenho dúvidas de que sua volta vai fazer algum bem para a banda de Roland Grapow. Mas não consigo entender completamente esse retorno.

O cantor norueguês passou grande parte de sua carreira tentando ser um clone de David Coverdale e Ronnie James Dio. E, graças a uma voz privilegiada e uma incontável quantidade de aparições em discos e shows, o cara conseguiu seu lugar ao sol, sendo considerado hoje um dos grandes vocalistas do rock e heavy metal.

Essa carreira levou Lande a duas posições invejáveis: uma de voz muito requisitada pela indústria do rock; outra de dono de uma banda que se sustenta sozinha e que é claramente uma das grandes apostas de sua gravadora, a italiana Frontiers Records.

Uma das provas de que Lande atingiu um bom status foi o convite de Tony Iommi e Geezer Butler para a homenagem que o Heaven & Hell fez ao falecido Dio, onde o norueguês dividiu os vocais com o imortal Glenn Hughes. Além disso, sua carreira solo com a banda Jorn tem rendido frutos e recentemente a Frontiers bancou o lançamento do álbum-homenagem-picaretagem Dio, onde Lande canta alguns dos clássicos de Ronnie James Dio, além de uma música inédita feita em homenagem ao seu ídolo.

Entendo que fica claro que Lande não precisa do Masterplan tanto quanto o Masterplan precisa de Lande, já que a experiência da banda com outro cantor, Mike Dimeo, não foi bem sucedida, resultando em um álbum irregular (MKII) e uma turnê decepcionante. Então é justo perguntar o porquê desse retorno, uma vez que sua saída em 2006 foi por não pensar da mesma forma que o restante da banda. É certo que hoje o Masterplan já não conta mais com o baterista Uli Kusch, na época um dos “donos” do negócio e possivelmente um dos motivos que mantinham o vocalista longe da banda.

De qualquer maneira, Grapow tentou uma reaproximação com o seu antigo vocalista e conseguiu que Lande reassumisse seu posto. O primeiro resultado disso é Time To Be King, um álbum com um título pomposo demais e que se mostra um tanto quanto equivocado, porque o CD não garantiria nem mesmo um ducado à banda.

Não que o álbum seja fraco. Não é. Mas comparado ao primeiro disco da banda, ou ao último de inéditas da Jorn, Spirit Black, Time To Be King perde feio, sobretudo porque não fez jus à imensa expectativa que se criou com essa volta do vocalista. Até mesmo a performance do norueguês é menos interessante, criando no ouvinte uma vontade de ouvir outros trabalhos onde o vocalista é muito melhor aproveitado, como Burn The Sun, o segundo álbum do Ark, por exemplo, um dos grandes discos da década.

E não citei o Ark por acaso, já que o guitarrista Tore Østby, o baixista Randy Coven, o tecladista Mats Olausson e o exímio baterista John Macaluso se reuniram no final de 2009 e em breve devem lançar seu próximo trabalho. Essa sim é a banda para qual Jørn Lande deveria voltar.

sábado, 14 de agosto de 2010

Push The Venom

Saiu o novo álbum do Kataklysm! Tenho que admitir que estou bastante ansioso por ouvir esse novo álbum dos canadenses, Heaven’s Venom. Os caras estão numa fase acima da média e os dois álbuns anteriores, In The Arms Of Devastation (2006) e Prevail (2008), criam a expectativa de que esse novo será um dos clássicos da banda.

E potencial para ser o melhor álbum da banda existe. Premiados recentemente pela Nuclear Blast pelos 15 anos em seu cast, suas turnês estão cada vez maiores, inclusive como atração do atual Ozzfest, e os orçamentos para produção do álbum e respectivos lançamento foram visivelmente maiores. Prova disso é o clipe de Push The Venom, de direção de Ivan Colic, responsável por Another Strange Me, do Blind Guardian, e Never Enough, do Epica, que é superior a tudo que a banda já havia feito antes nesse aspecto.

E, fora a parte visual, Push The Venom mostra de tudo um pouco que o Kataklysm costuma ter em seus álbuns. Diferente de Prevail, quando fizeram um clipe para a bastante melódica Taking The World By Storm, dessa vez escolheram uma mais direta e representativa do som que costuma predominar nos discos.

Tenho confiança de que Heaven’s Venom estará nos meus discos preferidos de 2010.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

That’s how rock ‘n’ roll is supose to be played

O Chickenfoot, como todos já devem saber a essa altura, é formado por quatro veteranos que se uniram para mostrar às novas gerações o que é o verdadeiro rock 'n' roll. Sammy Hagar, Michael Anthony, Joe Satriani e Chad Smith são músicos que já tem suas histórias devidamente marcadas na história do rock e não precisariam de mais nada para confirmar o fato. Mesmo assim gravaram um álbum estupendo e resolveram mostrar o impacto e o frescor que essas músicas alcançaram ao vivo no DVD Get Your Buzz On Live.

O show gravado foi o de Phoenix, nos EUA, e mostra uma banda que claramente não está tocando apenas por compromissos contratuais, pois é fácil de ver que os caras estão gostando muito do que estão fazendo. Tecnicamente não dá nem pra comentar, pois é tudo tão espontâneo, tudo tão descompromissado que a gente já fica feliz só de ver que eles estão muito satisfeitos por estarem ali juntos fazendo um rock muito honesto e empolgante.

E o show não tem frescuras. Desde o início com Avenida Revolution, até o final bombástico com My Generation, do The Who (quando Chad Smith faz sua homenagem a Keith Moon) o que vemos é apenas baixo, bateria, guitarra e voz, mas tudo feito por especialistas do assunto. Nada de danças coreografadas, figurinos e penteados especiais para cada música, ou instrumentos voando pelo palco, a música sozinha preenche toda a atenção sem precisar de mais artifícios.

E é muito bom poder ver Sammy Hagar á frente de uma banda novamente. O Red Rocker não é o manda-chuva, mas é claramente o cara que conduz o Chickenfoot ao vivo. E em músicas como Bitten By The Wolf, ou na antiga Bad Motor Scooter, de sua época de Montrose, vemos o porquê dele ser considerado como um dos grandes vocalistas do rock.

E no final do show, enquanto o público reverencia o quarteto, Hagar sintetiza a música do Chickenfoot numa única frase: “that’s how rock ‘n’ roll is supose to be played”. Mais correto impossível.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O vil Reign In Blood


Estive, no último sábado, numa dessas lojas grandes que costumavam ser livrarias e hoje podem ser consideradas completamente multimídia, vendendo desde livros até DVDs, CDs e jogos de videogame. E, andando pelos stands de ofertas, vi lá o Reign In Blood, um daqueles discos usualmente citados entre os cinco melhores de qualquer headbanger que se preze. 

Paguei então os quinze paus pelo álbum e o levei pra casa com um pensamento: por que raios eu nunca fui lá muito com a cara do Slayer?

Certo, certo, eu admito essa falha no meu caráter headbangerístico e posso dizer que hoje até eu mesmo me considero um poser, pois o Reign In Blood não é um dos clássicos malignos do heavy metal à toa: hoje eu compreendo isso completamente.

Não tem uma única faixa no álbum todo que possa se caracterizada como fraca. Mais do que isso, depois do início com Angel Of Death você acredita que o álbum só pode ir decaindo, mas o que acontece de fato é que ele vai melhorando e melhorando. E quando você termina de ouvir Postmortem achando que nada poderia superar aquilo tudo então vem o som da chuva e o riff sujo e cruel de Raining Blood fechando o álbum de forma assustadora.

Ao final a gente acaba concluindo que se algum álbum pode ser chamado de maligno em todo o thrash metal é esse aqui. Os riffs são sombrios, as partes cadenciadas são hipnóticas, os berros de Tom Araya são aterrorizantes, os solos da dupla King e Hanneman são caóticos e barulhentos e, por fim, mas não menos importante, a performance de Dave Lombardo é desesperadora, como se a vida dele dependesse de tocar os bumbos à velocidade da luz.

Mal do começo ao fim. Esse é o Reing In Blood, um dos imortais clássicos do heavy metal.