sábado, 24 de julho de 2010

Iron Maiden - The Final Frontier

O Iron Maiden lançou um vídeo para a faixa título do seu novo disco, "The Final Frontier", que deve ser lançado  em 16 de agosto próximo. Veja aqui.

O clipe é bem feito, e a música até que não é ruim. Mas eles precisam, urgentemente, parar de fazer refrões que consistam apenas em uma mesma frase repetida infinitamente - muitas vezes, como neste caso, esta frase sendo só o nome da faixa.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

War Stomp

E o Claustrofobia lançou um clipe para War Stomp, do grande I See Red, último álbum da banda, lançado no final do ano passado. O vídeo basicamente é uma coletânea de cenas da banda ao vivo em diversas apresentações no Brasil e exterior. Uma forma bastante eficiente de comprovar a força do thrash metal desses caras.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Grandes lançamentos da Voice Music

A idéia não é fazer média, mas é preciso citar nesse blogue o trabalho que a Voice Music tem feito pelo heavy metal nacional. E embora já esteja a alguns anos lançando os trabalhos de algumas das boas bandas brasileiras, e algumas outras internacionais de qualidade (Living Colour, por exemplo), foi nesse primeiro semestre de 2010 que a gravadora atingiu seu ápice de qualidade. E isso se deve ao lançamento de três álbuns que podem facilmente figurar em qualquer lista de melhores do ano.

O primeiro deles é o trabalho de estréia do Musica Diablo, banda de thrash/crossover que conta com o vocalista Derrick Green, do Sepultura, como maior atrativo, embora tenha em sua formação outras figuras tradicionais da cena brasileira.

Recoil, segundo álbum da Cavalar, banda brasileira de heavy metal tradicional radicada em Londres, é outro grande destaque. Diga-se de passagem, o primeiro álbum deles, As A Metal Of Fact, também saiu no Brasil via Voice Music.

Por último, mas de longe a mais importante, a Voice Music lançou em maio o primeiro álbum do Madgator, banda de heavy metal/hard rock que já atua na cena há alguns anos e só agora chegou ao seu primeiro álbum. O CD, auto-intitulado, não tem pontos baixos. Todos os membros são reconhecidos pela técnica individual, mas juntos eles conseguem fazer o impensável em músicas como The Brave Without A Mask, Same Old Magic, Eternal Fire e Take Me To The Night. Um álbum magnífico, de fato.

Esses três CDs conseguiram me impressionar pela qualidade geral de cada um. Todos contam com boas produções, belas capas (a do Madgator é algo fenomenal), e musicalmente, que é o aspecto mais importante, todas atingem seus objetivos com relativa facilidade. O thrash flertando com o hardcore visceral e espontâneo do Musica Diablo é algo que não se ouvia há muito tempo; o metal do Cavalar, com influências do stoner pode ser considerado como novidade por aqui; e o hard/heavy do Madgator, extremamente técnico, mas longe de ser exagerado, tem aquela classe que somente algumas bandas alcançam, como o Dr. Sin, por exemplo.

Três grandes adições a um catálogo que já tinha ótimos CDs, como o primeiro álbum do Ancesttral, The Famous Unknown (2007), e o Brainworms I (2008), primeiro do Bittencourt Project, projeto solo do guitarrista do Angra, Rafael Bittencourt.

Musica Diablo: http://www.myspace.com/musicadiablo

Cavalar: http://www.myspace.com/cavalarrock

Madgator: http://www.myspace.com/madgatorofficial

sábado, 17 de julho de 2010

Kriver, Toxic Blood


Taí mais uma boa banda surgindo em Recife-PE, a Kriver. Juntos a mais ou menos um ano, Jahyr Cesar (vocal), Guilherme Cordasso (baixo), Bruno Oliveira e Thiago Quintino (guitarras) e Ricardo Lira (bateria), lançaram recentemente o EP Toxic Blood, com cinco músicas que servem pra gente ter uma idéia do que esses caras vão fazer num futuro próximo.

Cito um futuro próximo porque nesse primeiro EP, embora tenham acertado em quase tudo, ainda dá pra notar um pouco daquela disparidade entre as influências de cinco caras diferentes definindo um único tipo de som, o que deixa o trabalho ainda meio heterogêneo. Um bom exemplo disso é a diferença entre as duas primeiras músicas, Toxic Blood e Dirty Thoughts, pois enquanto a primeira vai numa linha praticamente heavy metal, com riffs fortes e pedais duplos aqui e ali, a segunda já é bem mais light, com um refrão que insiste em me lembrar do Asia.

Mas, excluindo esse pequeno problema (que não chega nem a ser um problema quando todas as músicas são boas), é possível encontrar nesse Toxic Blood pouco mais de vinte minutos de bom entretenimento. Que começa exatamente com a faixa Toxic Blood, uma espécie de encontro de Dave Mustaine com o Gotthard.

Dirty Thoughts, como já comentei, evidencia uma parte mais light da banda, embora ainda inspirada pelo hard rock. Mas desde os corinhos do refrão até os timbres das guitarras e as conduções da bateria transpiram aquele rock ora meio AOR ora meio festeiro que fez muito sucesso nos anos 80.

Whore Love faz referência àquele hard rock mais setentista, enquanto a balada Sorrow é como se fosse a Dream On do Kriver, com um ótimo refrão, mas um tanto quanto longa demais. E o final com What Is That? retoma aquele climão da primeira faixa, mas com uma orientação muito mais hard rock, o que parece combinar mais com o som do Kriver.

Uma coisa que fica clara nesse EP é qualidade da banda, que com certeza aparecerá em breve com trabalhos ainda melhores. O vocalista Jahyr Cesar tem um timbre bem parecido com o de Dave Mustaine, semelhança que não incomoda e parece combinar perfeitamente com o hard rock da banda; uma grande revelação para a cena brasileira. O trabalho da dupla Guilherme Cordasso e Ricardo Lira também merece destaque, pois é consistente e tem a versatilidade que a variedade do EP acaba exigindo.

A apresentação de Toxic Blood é outra coisa a ser mencionada positivamente. Produção adequada e uma capa absurdamente legal. Fora isso, a banda disponibilizou o EP online em seu Myspace para todos que quiserem conhecer.

A resenha, no final das contas, parece criticar mais do que elogiar. Mas é exatamente o contrário. O Kriver é uma boa banda que momentaneamente ainda sofre com a falta de experiência. Mas, num estilo onde repetições e clichês são adotados como um saudosismo saudável, Toxic Blood é mais do que o suficiente para agradar até o fã mais radical.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Alfenas comemora o Dia Mundial do Rock!

No último final de semana rolou em Alfenas um festival em comemoração antecipada pelo Dia Mundial Do Rock (que é hoje, diga-se). Motivado pela apresentação da banda paulistana Seventh Seal, verifiquei os horários, a programação do sábado, corri atrás das outras bandas que tocariam e me programei para chegar a Alfenas para ver as três últimas bandas da noite, Pleiades, Silvercrow e a Seventh Seal.

Não sei o que houve, se foi erro da divulgação no evento, se foi mancada da banda, mas pelo jeito a Seventh Seal não apareceu por lá no sábado. Se apareceu foi bem antes do horário divulgado. Fora isso, rolou um atraso já esperado, e acabei podendo assistir mais algumas outras bandas.

Da região pude ver a Red’n’Black, que manda covers de AC/DC e Deep Purple com um vocalista bem convincente, e a Murder Ride, que teve diversas participações especiais de colegas das outras bandas se revezando no baixo (posto vago dias antes, segundo o vocalista), e mandou covers de várias bandas de thrash metal.

Então veio o Pleiades, a primeira das bandas de Belo Horizonte a que pude assistir. Primeiro de tudo tenho que reconhecer a qualidade do quarteto enquanto músicos. Todos eles têm o domínio necessário de seus instrumentos para desempenhar a música que se propuseram a fazer. A vocalista Cynthia, inclusive, impressiona por sua desenvoltura no palco, uma frontwoman nata. Mas a verdade é que a música da banda ainda está meio perdida num meio termo que incomoda. Certos momentos tendem para o metal, enquanto em outros a coisa soa toda meio emo tipo Fallout Boy e assemelhados.

Percebe-se que a gama de influências confunde a música dos caras pelos covers que optaram por mandar na sua apresentação: Janis Joplin, Led Zeppelin, Dio (quando eles quase trucidaram Holy Diver) e Pantera. Além disso, tocaram várias músicas de seu primeiro CD. E eu até posso não ter gostado muito, mas ficou claro que a audiência ficou bastante satisfeita com o quarteto.

A segunda banda belorizontina foi o Silvercrow, que divulga atualmente seu segundo álbum (que em breve resenharei aqui), Unleashing Rage. Trata-se de um metal melódico influenciado pelas melhores do ramo, incluindo aí todos os clichês necessários ao gênero.

Mas mesmo com todos os fatores contra, o Silvercrow fez um show muito bom. A música dos caras é bastante coerente com o estilo, e o quinteto sabe o que fazer dentro dessa linha de heavy metal. O vocalista Bernardo Silveira é muito bom, e provou isso no cover de Heaven & Hell, do Black Sabbath, sem falar na dupla de guitarristas, que é bem entrosada e técnica.

Uma pena que poucos ficaram para ver esse show (me pareceu que depois do término do show do Pleiades muitos correram para pegar os últimos ônibus da noite), pois a apresentação foi bem legal e valeu a noite.

Sei que outra banda foi escalada para cobrir o lugar do Seventh Seal, no encerramento da noite. Mas eu sinceramente não quis ficar para ver, pois o evento estava bastante atrasado, iria madrugada adentro e eu ainda teria que enfrentar alguns quilômetros de volta pra casa.

Silvercrow

http://www.myspace.com/silvercrowband

Pleiades

http://www.myspace.com/bandapleiades

quinta-feira, 8 de julho de 2010

The New Old Brazillian Thrash Metal


A “nova onda” do thrash mundial atingiu o Brasil, claro. Tradicionalmente dono de uma cena que sempre revelou bandas que apostavam no peso e na violência do thrash metal, não seria dessa vez que o país se esconderia sem revelar ninguém para o mundo. No caso atual, a banda que agrada aos olhos dos gringos é o Violator, do Distrito Federal, que apela para aquela linha visceral do estilo, unindo a atitude dos heróis da Bay Area norte-americana com a pancadaria sonora dos thrashers germânicos.

No entanto, esse interesse renovado pelo thrash metal, que tem gerado bandas novas a todo instante, tipo o Municipal Waste e o Warbringer, bem como resgatando do limbo outras essenciais para a definição do estilo, como o Heathen, se mostrou muito mais favorável não à nova safra do thrash brasileiro, e sim à antiga.

Embora as novas crias do thrash nacional estejam sendo citadas internet afora em sites e blogues especializados, saudadas pelos estrangeiros e cogitadas para turnês na Europa e Japão, são duas bandas das antigas que recentemente conquistaram novos contratos com gravadoras realmente relevantes dentro do heavy metal e devem subir mais alguns degraus nos próximos anos: Sepultura e Korzus.

O Sepultura passou por alguns anos complicados. Viu seu status de sucesso mundial cair para um status de banda de heavy metal com passado glorioso. Mas com o lançamento de A-Lex, de 2009, seu último (e ótimo) álbum de estúdio, ficou claro que os caras ainda têm muito a mostrar e a boa recepção ao disco os levou a um contrato com a gravadora mais importante hoje no heavy metal, a alemã Nuclear Blast.

Esse contrato com a Nuclear Blast, no entanto, é diferente do que a banda estava acostumada, pois a gravadora alemã é independente, ou seja, as verbas serão bem menores que as que o Sepultura estava acostumado na época em que fazia parte do mainstream. Mesmo assim, a visibilidade será maior dentro do verdadeiro público da banda hoje, que é o headbanger.

O caso do Korzus é semelhante, mas difere num tópico em particular. Ao contrário do Sepultura, a banda paulistana nunca atingiu o mainstream, ficando relegada ao underground nacional, mas sempre tidos como heróis do estilo.

Mas depois de Ties Of Blood, de 2004, a banda surpreendeu com uma força que muitos achavam que não existia. E essa força impulsionou sua carreira de tal forma que todo o esforço foi recompensado com um contrato com a alemã AFM Records (dona de um cast com Annihilator, Avantasia, Destruction e Brainstorm, por exemplo) para o lançamento de seu novo álbum, Discipline Of Hate, no continente europeu.

Pode não parecer muito, mas o trabalho da gravadora já começa a mostrar resultados, que podem ser conferidos pelas resenhas positivas que o álbum tem conseguido em publicações e sites europeus. Além disso, Schmier, do Destruction, fez a gentileza de tecer comentários animadores sobre o CD, o que confere ao lançamento uma espécie de “selo de qualidade thrash metal”. Tal prática já havia sido utilizada por Mille Petrozza, do Kreator, outra lenda do thrash alemão, sobre o último álbum dos gregos do Suicidal Angels, e a repercussão foi grande.

Estar no cast da Nuclear Blast e da AFM Records provavelmente vai proporcionar ao Sepultura e ao Korzus algumas turnês mundiais junto com artistas (hoje) mais populares dos casts das duas empresas. Fora isso também deve garantir a presença das duas bandas em alguns dos festivais europeus mais importantes, o que os colocam sendo assistidos por públicos que variam de dez a sessenta mil pessoas, uma situação bastante favorável.

Claro que tudo depende da forma como ambas reagirão ao mercado europeu, ou ao trabalho com as novas gravadoras, mas para o thrash metal brasileiro é extremamente saudável que duas das maiores forças históricas estejam alcançando espaços merecidos no maior mercado do heavy metal mundial.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vanden Plas, The Seraphic Clockwork


Solidez é a palavra que me ocorre ao tentar definir a carreira do Vanden Plas. Embora ainda sujeito a uma posição abaixo da intermediária no que diz respeito ao seu status entre os headbangers, a banda alemã é sinônimo de regularidade. Desde 94, com o lançamento de seu primeiro álbum, Colour Temple, o Vanden Plas apresenta a mesma formação e a mesma proposta musical, sempre, no entanto, com aprimoramentos e um desenvolvimento grande na parte técnica e lírica.

E quem acompanha a carreira dessa banda de prog metal suspeitava que seu novo álbum não pudesse superar Christ.0, de 2006, trabalho que apresenta não só uma execução perfeitamente coerente com o conceito lírico, mas também performances individuais impressionantes. The Seraphic Clockwork, então, é o álbum que veio para surpreender, pois conseguiu superar seu antecessor com uma vantagem bastante razoável em diversos aspectos.

Este novo trabalho conceitual do Vanden Plas já apresenta um grande enriquecimento no que diz respeito à interpretação do enredo. Nesses quatro anos em que a banda ficou sem lançar álbuns, seus membros estiveram envolvidos com algumas montagens alemãs de musicais famosos, como Hair e Jesus Christ Superstar, e essa experiência é bem perceptível em suas novas músicas. Inclusive, a performance do vocalista Andy Kuntz parece muito mais madura, emocional e precisa, mas contida quando pertinente.

São apenas oito músicas contando a história de um homem que viaja no tempo e espaço com uma missão divina revelada em uma profecia contida no antigo testamento. Mas o baixo número se revela o suficiente, pois são faixas longas e que juntas têm uma coerência que poderia ser afetada caso fosse um álbum maior. Mesmo assim o trabalho ultrapassa os sessenta minutos.

Musicalmente o grande destaque do álbum é a última faixa, On My Way To Jerusalem, pois consegue traduzir todo o sentimento do disco em seus quase treze minutos de duração. Mas é difícil não ouvir Frequency, ou Sound Of Blood, ou Quicksilver, sem ter a impressão de que acabou de ouvir a melhor música do CD. E essa impressão acontece a cada música desse disco.

E embora a banda seja formada por cinco músicos que tem performances inspiradas e que tem seus grandes momentos de suas carreiras nesse trabalho, é impossível não destacar o guitarrista Stephan Lill. Autor da maioria das músicas, o cara aproveitou pra mostrar todo seu bom gosto em riffs ora pesados e intrincados, ora melodiosos e totalmente hard rock.

The Seraphic Clockwork é um álbum estupendo que pode colocar o Vanden Plas em uma posição mais justa no cenário, situação que é objetivo de sua nova gravadora, a italiana Frontiers Records, atual responsável pelos últimos trabalhos de artistas como Primal Fear e Jorn Lande.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Time What Is Time


Com o álbum Imaginations From The Other Side o Blind Guardian virou banda grande. Os discos anteriores são ótimos, mas depois do Imaginations é que as pessoas passaram a esperar sempre mais e mais do quarteto alemão. E a banda superou a expectativa com o álbum seguinte, Nightfall In Middle-Earth, provavelmente seu trabalho de maior sucesso entre os fãs.

Só que a partir daí a banda resolveu “incrementar” seu som, mantendo a veia épica, mas adicionando partes mais progressivas, mais coros e orquestrações, e algumas modernidades que a fizeram se afastar um pouco daquele som porrada, mas melódico, do Imaginations e do Nightfall.

Vendo que o Blind Guardian abriu uma brecha, várias bandas aproveitaram a deixa e surgiram como “sucessoras”, cada uma apostando em alguma característica marcante que a faria despontar entre as outras.

A verdade é que nenhuma delas realmente conquistou aquela parcela de fãs que o Blind Guardian decepcionou, e todas elas permaneceram num mesmo patamar até hoje, e ainda guardam aquele estigma de ainda quererem ser um próximo Blind Guardian.

Algumas dessas bandas, no entanto, têm suas qualidades e, se isentas do peso de “suceder” o Blind Guardian, podem agradar bastante. Dentre todas as aspirantes, podemos citar a dinamarquesa Manticora, com seu som complexo e os álbuns conceituais, o Savage Circus, banda que o ex-baterista do Blind montou para retomar o som do Imaginations, a suíça Excelsis, que incorpora a música regional ao seu metal “blindguardianizado”, e o Persuader, que tem no seu vocalista um dos maiores trunfos, pois a voz e estilo de Jens Carlsson (também vocalista do Savage Circus, aliás) são muito semelhantes ao de Hansi Kürsch.

Duas delas, no entanto, merecem mais destaque por fazer um trabalho acima da média, embora ainda inferior ao de sua banda “inspiradora”: a norte-americana Dark Empire e a alemã Orden Ogan.

O Dark Empire lançou até agora um mini-CD com seis faixas e o álbum Dethroned Humanity, que surpreende pelo peso e pela qualidade das composições. Lançado em 2008, o álbum tem seus maiores destaques no ótimo baterista Sam Paulicelli e o guitarrista (e dono da banda) Matt Moliti, responsável por todas as músicas. Além disso, Humanity Dethroned também conta com os vocais de Jens Carlsson, o que contribui para a semelhança com o Blind Guardian. Não é a melhor banda do mundo, mas é uma boa aposta pro futuro.

Já o Orden Ogan começa a ganhar notoriedade com o novo álbum, Easton Hope. Trata-se de um heavy metal bastante inspirado pelo Blind Guardian, com muitos coros, peso e linhas de bateria que se assemelham bastante (sobretudo na música Nothing Remains) às que Thomen Stauch fazia antes de deixar o Blind Guardian. Até a capa de Easton Hope remete ao antigo Blind, pois foi feita por Andreas Marshall. Novamente, não é a banda que vai salvar o mundo da mesmice, mas que agrada fácil.

No final de Julho o Blind Guardian lança um novo álbum, At The Edge Of Time. A expectativa dos fãs é sempre a mesma: um novo Imaginations ou um novo Nightfall. A tendência, no entanto, não é essa, e é bem provável que o que venha aí seja uma evolução do álbum anterior, o bom A Twist In The Myth. Ou seja, um heavy metal agudo, técnico, com algo de prog, muitos coros e orquestrações. Mas sem o peso e a parte power metal de outrora, o que faz dos clones uma boa opção para quem quer algo “novo”.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Copa do Mundo e o Blind Guardian

Parece brincadeira, mas desde o Nightfall In The Middle-Earth que o Blind Guardian só lança álbum em ano de Copa do Mundo. E para os fãs é um evento quase tão grandioso e esperado.

Mas a verdade é que a banda tem deixado um pouco a desejar se levarmos em consideração o imenso tempo que os caras levam para lançar seus álbuns. A Night At The Opera e A Twist In The Myth nem são ruins, mas são mais fracos que os grandes clássicos, que foram gerados em uma fase mais criativa e "ligeira", digamos.

E, em tempos de primeira Copa do Mundo num país africano, o Blind Guardian prepara o lançamento de seu novo álbum, chamado At The Edge Of Time, para o penúltimo dia de julho (poucos dias após o torneio de futebol conhecer seu campeão mundial, aliás). 

Algumas coisas sobre o álbum tem aparecido na internet nas últimas semanas. Trechos de músicas, diáris de gravações, breve lançamento de single e a divulgação da capa e tracklist final. E, pelo que se pode deduzir do que foi mostrado, parece que a banda não vai desistir e "voltar no tempo" para agradar seus fãs mais incomodados. Até a capa assusta um pouco, pois é "Rhapsodyana (of Fire)" demais.

Se agradar, ótimo. Senão, aparentemente o próximo só sairá em 2014, junto com a Copa do Brasil.



quarta-feira, 19 de maio de 2010

Long live Rock & Roll

Quando foi divulgado que Dio havia sido diagnosticado com câncer de estômago eu já previa que, infelizmente, ele não venceria a doença. Não porque o câncer é devastador, ou porque Dio era fraco, ou por qualquer motivo lógico. O que me dava certeza era o fato que Dio, mesmo aos 67 anos, ainda era um dos melhores vocalistas em atividade, não importando qual segmento da música; nada tão bom costuma durar por tanto tempo. O câncer era a mão gelada do destino tentando corrigir isso.

Tá, podem me acusar de exagero, já que 67 anos é bastante tempo num caso comum. Mas Dio não era um caso comum. No caso dele, enquanto estivesse vivo, uma legião de fãs o seguiria, querendo não só a banda Dio, mas também o Heaven & Hell (o melhor Black Sabbath dos últimos anos), e qualquer outra coisa em que ele estivesse envolvido. Não é por menos que sua participação no filme Metal: A Headbanger's Journey é uma das mais celebradas; não só por headbangers, diga-se.

Curiosamente existe uma parcela de fãs do Black Sabbath, meio surdos, que numa competição completamente irracional, comemoram sua morte como uma vitória de Ozzy Osbourne (aquele fantoche/morcego que gravou os primeiros álbuns da banda). Alguns até escreveram internet afora seus desprezos pelo Dio despejando seus alívios pelo "fim" da "disputa". A maioria, no entanto, se escondendo embaixo de nicknames ou justificando as opiniões pífias, ridículas e tendenciosas sob o título "jornalista".

A verdade é que, não importava a situação, país, período, Dio era adorado por fãs e colegas (que em muitos casos também eram fãs). Colocou seu nome na história do rock com álbuns essenciais, atitude exemplar e, principalmente, uma voz que jamais será igualada (embora Jorn Lande venha tentando com afinco). Dio será para sempre a voz do heavy metal.

Ronnie James Dio, 1942-2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Redemption, Snowfall On Judgement Day

Embora o Fates Warning não tenha terminado, fazendo até mesmo alguns shows esporádicos nos EUA (em 2009 foi apenas um, mas esse ano eles já tem umas seis apresentações previstas no site oficial), os fãs da banda estão carentes de um novo álbum já que a banda não lança nada novo desde o Fates Warning X, lançado em 2004. Mas especula-se muita coisa, desde um retorno de Frank Aresti à banda, até a efetivação de Bobby Jarzombek na bateria.


Enquanto o Fates Warning não volta efetivamente, o jeito é se contentar com os projetos dos membros, como o OSI, de Jim Matheus (com Kevin Moore, ex-Dream Theater, nos vocais e teclados, e o baterista do Porcupine Tree, Gavin Harrison), e o Redemption, com Ray Alder no vocal.


Mas o Redemption é mais que um projeto. Hoje é uma banda efetiva, lançando álbuns com relativa regularidade e um line up muito, muito competente, com Bernie Versailles na guitarra, Sean Andrews no baixo, Chris Quirarte na bateria, Greg Hosharian no teclado, Nick van Dyk (dono do negócio e principal compositor) na guitarra e teclado, e o já citado Ray Alder.


O último lançamento, Snowfall On Judgement Day, é meio que a comprovação de que o Redemption está estabilizado e deve ser encarado como banda, pois se nos álbuns anteriores existia uma sombra de falta de entrosamento entre os músicos, neste aqui a sombra sumiu completamente, evidenciando a criatividade dos caras.


E os fãs de Ray Alder no Fates Warning ficarão contentes ao ouvir sua performance em músicas como Black And White World, What Will You Say? e Unformed, pois a comparação é imediata e adequada. E tenho que ressaltar o quanto esse cara está cantando. Provavelmente um dos três melhores dentro desse sub-estilo do heavy metal, o prog metal.


Outra coisa que chama a atenção é o peso que o Redemption optou por evidenciar em algumas faixas. Leviathan Rising é o melhor exemplo disso, aliando riffs muito fortes, e uma letra condizente. Algo semelhante ao que fez o Symphony X em seu último álbum, Paradise Lost. No geral, inclusive, eu diria que as guitarras receberam atenção especial neste álbum, pois não só apresentam um peso mais “na cara”, como alguns dos timbres mais bonitos entre os lançamentos de 2009.


Não é necessário ficar elencando as qualidades de cada músico e suas respectivas participações no álbum. Basta dizer que tudo parece se encaixar com uma precisão quase orgânica, qualidade que a produção soube valorizar. E Snowfall On Judgement Day ainda tem a participação de James Labrie (Dream Theater) cantando com Alder na música Another Day Dies, um atrativo a mais para os fissurados por prog metal.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Isis

Isis é uma banda americana, classificada pelo www.metal-archives.com como "Atmospheric Sludge".

Eu não sei o que é Atmospheric Suludge, mas eu sei que esta banda é muito legal, e original. Este video bizarro é de "20 Minutes/40 Years", música do mais recente disco, Wavering Radiant.



Lynyrd Skynyrd - Still Unbroken

Música do novo disco do Lynyrd, God & Guns. Confesso que eu cohnheço bem apenas o que a banda gravou nos anos 70. Não sabia que o vinham fazendo um som tão legal.




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A nova heresia do Helloween


E o Helloween resolveu estragar definitivamente alguns de seus maiores clássicos. Já não bastava executá-los show após show desde 94 com Andi Deris no vocal, agora os alemães decidiram eternizar essa heresia em estúdio, com o lançamento da coletânea Unarmed - 25th Anniversary Album, prevista para dezembro.


Unarmed trata-se exatamente de uma coletânea com regravações das músicas que mais fizeram sucesso na carreira do Helloween. Estranho que eles tenham decidido estragá-las como forma de comemoração. Entretanto, péssimas decisões tem sido uma constante na carreira dos caras.


Algumas faixas de fato poderiam ter uma gravação melhor. Where The Rain Grows, Perfect Gentleman e Forever & One, já com Deris no vocal, sofrem de péssima interpretação do vocalista, que com o passar dos tempos deve ter adquirido vergonha por ter gravados essas músicas da forma como o fez. Já If I Could Fly e a recente Fallen To Pieces não precisavam de novas roupagens; uma nova mixagem para se adequar ao restante das faixas daria conta do problema.


O problema é que das onze faixas selecionadas para o álbum, cinco são músicas cujos originais tem o lendário Michael Kiske como vocalista, sendo praticamente impossível que qualquer outro cantor em atividade hoje no heavy metal conseguisse algo tão impressionante quanto o original. E muitos já tentaram, desde Kai Hansen (Gamma Ray), autor de algumas dessas músicas, até alguns relativamente consagrados, como Andre Matos, Andy B. Franck (Brainstorm, Symphorce), Fabio Lione (Rhapsody Of Fire, Vision Divine), Tony Kakko (Sonata Arctica) e Joacim Cans (HammerFall), entre muitos outros, alguns talentosos, outros completamente desprovidos das qualidades necessárias para cantar algo originalmente gravado por Kiske.


E a verdade é que Andi Deris não se aproxima em termos de qualidade vocal nem mesmo a alguns dos citados acima, quanto mais de Michael Kiske. Além disso, é questionável se os outros atuais integrantes da banda conseguiriam performances tão carismáticas quanto os músicos que as gravaram, uma vez que, por exemplo, Roland Grapow e Uli Kusch (ex-guitarrista e baterista, respectivamente) deixaram registros bastante marcantes em sua curta história na banda. Kai Hansen, praticamente fundador do estilo do Helloween, é outro que dificilmente será equiparado. E o baterista Ingo Schwichtenberg, embora razoavelmente limitado, nunca será igualado pelas circunstâncias que envolveram sua saída da banda e, pouco tempo depois, sua morte (o baterista sofria de esquizofrenia e se atirou em um metrô).


Por tudo isso, o Helloween é uma das poucas bandas que não deveria se meter a regravar clássicos de sua carreira. Sobretudo quando essas regravações revelam mais uma heresia: o medley batizado de The Keeper’s Trilogy, com as clássicas Halloween, Keeper Of The Seven Keys e a lamentável King For A 1000 Years, do fiasco Keeper Of The Seven Keys – The Legacy.


Eu realmente torço, no entanto, para que minhas críticas se mostrem infundadas e que o álbum seja bom, como foi o último de estúdio Gambling With The Devil. Mas a expectativa é muito negativa. Por outro lado, enfim vão poder dizer que Deris canta Dr. Stein igual à versão de estúdio.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cala a boca, Mustaine!


Dave Mustaine fez Endgame, o novo álbum do Megadeth. O álbum marca a estréia de Chris Broderick, um anônimo para o grande público, mas velho conhecido para quem acompanhava a cena heavy metal norte-americanas, pois além de auxiliar o Nevermore nos shows como segundo guitarrista, fazia parte do grande Jag Panzer desde 98.

Endgame é um bom álbum. Broderick é um guitarrista fantástico e essa qualidade foi explorada absurdamente pelas novas músicas de Mustaine. Algumas faixas parecem ter sido feitas para evocar o Rust In Peace, mas a performance da banda como um todo deixa bem claro que estamos em 2009. Andy Sneap também colabora muito pra isso, e em cada música é possível distinguir sua assinatura na produção.

Mas se Mustaine fez um álbum tão bom, por que é que ele não está em todos os lugares, em todos os veículos especializados em heavy metal, e fazendo tanto barulho quanto ele dizia que iria acontecer?

Minha teoria é simples. Mustaine não para de falar sobre o Metallica. Claro, ele deve falar sobre o novo álbum também, mas cada entrevistador que o pega pela frente só quer saber de uma coisa: dos onze meses em que foi guitarrista do Metallica. E Mustaine não sabe ficar quieto com relação a isso.

Nos últimos meses Mustaine já falou sobre seus ex-colegas e suas atitudes como amigos/inimigos/músicos, Death Magnetic, a presença dos ex-companheiros no Rock And Roll Hall Of Fame, e diversos outros assuntos que envolvem o Metallica de uma forma ou de outra. Ótima publicidade... para o Metallica.

Se ele tem um trabalho tão bom em mãos (e de fato tem) não seria mais lógico divulgá-lo exclusivamente? Tenho certeza de que ele tenta, na verdade, mas cada vez que ele abre a boca pra falar sobre o Metallica Endgame vira assunto secundário. Na verdade, eu até já li uma entrevista em que Mustaine fala o quão bom seu álbum novo é. Mas seu comentário foi justamente de que Endgame é melhor que Death Magnetic.

Mustaine não precisa disso. Endgame é melhor que Death Magnetic, como é melhor que inúmeros álbuns lançados nos últimos anos. Mas se é o caminho dessa “auto-promoção” esquisita que o cara escolheu, então é bom ir se preparando para uma futura decepção, pois ninguém vai lembrar de Endgame, só de suas desavenças com o Metallica.

E agora, para finalizar e justificar todo o meu comentário, vou ouvir o último álbum deles. Do Metallica, claro.

domingo, 4 de outubro de 2009

Björk: Choose your Side zine is dead


Fui convidado a fazer parte desse blog pelos meus bons amigos André e Daniel e vi que entre os seus membros está Guilherme Chirinéa, que também fez parte da turma de colaboradores do falecido Choose Your Side Zine, cujo criador, Fábio Gonçalves Ferreira, está agora cursando Jornalismo na UFAC e Artes Visuais na UnB, dedicando-se mais a um blog nesta última área. Pode ser que o site do CYS zine volte à ativa algum dia, afinal comebacks viraram a regra no mundo do rock n'roll. Enquanto isso não acontece, vou iniciar minhas atividades aqui com um texto inédito, feito para o site do Choose Your Side há cinco anos e que não foi publicado por complicações tecnológicas. Já está desatualizado em certo sentido: o Faith no More voltou com Mike Patton nos vocais, para confirmar a regra. No entanto, mantenho minha opinião sobre o CD analisado. Mantive a formatação de texto que o Fabinho me pediu na época, com os nomes das músicas. Só deixei de atribuir uma nota para o CD porque odeio isso. Parece-me bobagem críticos de música (ou meros resenhistas) bancar os professores em relação a artistas. Por fim: o que a Björk tem a ver com o perfil do CYS zine ou deste blog? Nada. Por isso mesmo aí está o texto.


Artista: Björk

Álbum: Medúlla

Ano: 2004

Gravadora: Wellhart Ltd/ One Little Indian/ Polydor/Universal

Origem: Edição nacional do Cd

01 – Pleasure is all Mine

02 – Show me Forgiveness

03 – Where is the Line

04 – Vökuró

05 – Öll Birtan

06 – Who is it (carry my joy in the left, carry my pain on the right)

07 – Submarine

08 – Desired Constellation

09 – Oceania

10 – Sonnetes Unrealities XI

11 – Ancestors

12 – Mouth’s Cradle

13 – Midvidukags

14 – Triumph of a Heart

Confesso que não gostei na primeira audição. Não é fácil. Um amigo me explicou que havia um conceito em Medúlla: a negação da banalidade que tomou conta da música eletrônica. Que idéia idiota. A dance music já era fútil quando Björk se meteu com o gênero, no início dos anos 90, ao abandonar o Sugarcubes – new wave extemporânea, uma espécie de B52’s gélido, vindo direto da Islândia. Apesar das músicas de Björk serem interessantes, diferentes, sempre achei Sugarcubes muito melhor.

O que me atraiu foi a presença de Mike Patton (do Fântomas, Tomahawk e Mr. Bungle; mas, no Brasil, mais do que em qualquer outro lugar, eterno ex-Faith no More mesmo). Ouvi seus álbuns solos nos anos 90, com experimentos vocais, pouca ou nenhuma instrumentação, e Medúlla vai além, na mesma linha. Talvez seja mesmo um marco, como provavelmente pretende sua autora, ou talvez será lembrado apenas com estranheza, décadas adiante. Veremos.

Pleasure is all mine abre o disco com a participação de Patton, que auxilia as vozes femininas a providenciar uma atmosfera etérea para Björk soltar a voz. Ouvir esta música tarde da noite, com as luzes desligadas, não tem o mesmo efeito de ouvi-la durante o dia.

O ponto crucial de Medúlla é este. Ou incorpora-se o espírito da coisa, ou nada feito. Quem não atravessar a arrebentação e mergulhar nas músicas vai estranhar muito. Show me forgiveness trata de culpa à capella, seguida da caótica Where is the line, mais próxima das demências de Patton, ainda que não tão aleatória. Outras participações especiais – entre tantas outras - são do Matmos (duo de San Francisco que fez um álbum com sons de cirurgias) e de Robert Wyatt, lenda viva do rock progressivo, ex-membro do Soft Machine e do Gong. Portanto, tome experimentalismo. Submarine é inapelavelmente chata, só deve agradar os fãs de Wyatt, que, no entanto, providencia samples vocais memoráveis para Oceania. Alguns efeitos fazem pensar em cantos de sereias. A letra atiça a imaginação, com Björk bancando uma “mãe Oceano”.

Vökuró e Midvukags, cantadas em islandês, têm em comum o tom solene e triste. Ancestors soa como um lamento, mas não há letra no encarte, se é que isso ajudaria em algo. Triumph of a heart e Who is it... (curiosamente, a que tem participação do Matmos) são as, aham, “pop”. Os malabarismos vocais como imitação de instrumentos reais afastam qualquer traço de normalidade. Os climas se alternam. Desired Constellation é de uma beleza sutil, os efeitos eletrônicos resumem-se a mero white noise. Enfim, um álbum cheio de mistérios, “cabeça”; até um trecho da poesia de E.E. Cummings é musicado. Qualquer um que pertença à porção sã da humanidade, entretanto, pode compreender: “Preciso de um abrigo para construir um altar longe de todos os Osamas e Bushes”, canta a deusa esquimó em Mouth’s Cradle.

Daniel Souza Luz

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Skyclad, In The... All Together


Antes de comentar sobre In The... All Together é preciso que todos entendam o meu ponto de vista sobre o Skyclad. E meu ponto de vista difere daquele que tem aparecido em alguns fóruns e resenhas em veículos de comunicação especializados em heavy metal, que diz que sem Martin Walkyier não existe Skyclad.

Desde que o trio Walkyier, Steve Ramsey (guitarra) e Graeme English (baixo) se juntou para dar vida ao Skyclad, duas coisas se tornaram características daquela que viria a se tornar a maior dentre as praticantes do então chamado folk metal, rótulo que desde os primórdios nunca fez jus à música dos ingleses. A primeira dessas duas características é o próprio Martin Walkyier, com sua voz ímpar e uma criatividade acima da média em letras que abusavam da acidez, com metáforas e vocabulário sem iguais no meio.

A segunda característica e, para mim, a principal delas, é a música, fruto principalmente de Steve Ramsey, com boas participações de English, outros músicos que transitaram pela banda no decorrer dos anos e, em menor quantidade, Walkyier. Aquele rock & roll metalizado, com alguma influência de punk, e o toque marcante do violino, acentuando a faceta folk, desde o primeiro álbum praticamente demarcou os limites de um estilo que hoje é copiado e influencia músicos mesmo fora do continente europeu.

Com a saída de Walkyier, em 2001, o Skyclad se viu sem uma de suas duas principais características, pois o vocalista levou consigo suas letras e seu estilo único de cantar. Uma mudança que os fãs sentiram, sobretudo em 2004, com o lançamento de A Semblance Of Normality, primeiro trabalho sem Walkyier, e com o guitarrista Kevin Ridley assumindo as letras e os vocais. O álbum realmente ficou (um pouco) abaixo da qualidade que a banda vinha mantendo até então, e era sensível o abalo causado pela maior de suas mudanças de formação até então. Mas não totalmente, pois as boas músicas estavam lá, apenas o vocal é que não parecia adequado.

No entanto, a banda continuou adiante e In The.. All Together, lançado oficialmente em maio desde ano, já pode ser colocado lado a lado com os grandes álbuns da banda. E digo isso com a certeza de que Ridley, já adaptado à função de cantor, se mostrou a escolha certa para o posto, pois consegue chegar próximo ao estilo de Walkyier, mas sem abandonar suas próprias características, tornando-se mais do que um substituto, mas um novo vocalista de fato.

Fora isso, Ridley e Ramsey cuidaram para que o álbum tivesse composições de alto nível, algumas podendo ser alçadas à condição de clássicas em pouco tempo, com letras que não são tão particulares quanto as de Walkyier, mas que mantém com dignidade a tradição lírica do Skyclad, vide The Well-travelled Man. Além disso, a performance da banda como um todo está espetacular, o que mostra também o mérito do produtor italiano Dario Mollo.

O álbum não tem destaques negativos, desde a abertura com Words Upon The Street (que virou videoclipe), até o encerramento com a faixa título do álbum, o Skyclad mostra todas as suas qualidades, incluindo até mesmo algumas pequenas inovações interessantes. Babakoto, por exemplo, tem um início em que você fica esperando entrar a voz de Belle du Berry, vocalista do grupo francês Paris Combo.

A violinista Georgina Biddle também teu seu grande momento em Which Is Why. Talvez não só seu grande momento do álbum, mas uma de suas melhores performances desde que entrou para a banda, em 94. Já em Modern Minds e o grande destaque é o baterista Arron Walton, “novato” da banda.

In The... All Together é um grande álbum, um dos melhores da carreira do Skyclad e que merece mais do que audições desconfiadas e preconceito com o novo vocalista. Sobretudo porque ele indica que a banda continua no caminho correto e que ainda tem muito a oferecer aos seus fãs. O que, infelizmente, ainda não pode ser dito de Walkyier.

domingo, 20 de setembro de 2009

E o Streets rende até hoje

O Streets, talvez o melhor disco da carreira do Savatage, rende dividendos até hoje pro Jon Oliva. E não, eu não falo do dinheiro feito com as eventuais vendagens que o disco venha a ter até hoje, eu me refiro ao fato de muito do que ficou de fora do disco ter sido reaproveitado posteriormente em outras músicas.

Não é segredo pra ninguém que o Streets foi idealizado como um disco duplo e que a Atlantic não gostou da idéia, e por isso eles tiveram que cortar muita coisa. Primeiro, eles deixaram o disco com 17 músicas e com faixas de voz entre cada música. Depois, eles cortaram a 17ª música, "Larry Elbows", e todas as faixas de voz, com exceção da introdução de "Jesus Saves". Mas as músicas que ficaram de fora foram aparecendo depois: "Stay" saiu como bonus pra um relançamento em CD do Hall of the Mountain King, "Desiree" saiu como bonus pro próprio CD do Streets e a versão original de "Jesus Saves" (mais lenta) saiu como bonus pro Poets and Madmen. As outras ("Tonight I Would Be King", "Sanctuary" e "Beyond Broadway") ainda existem em fitas com pouca qualidade de gravação, mas já foram lançadas de maneira indireta. Segundo o próprio site do Savatage, muitos dos riffs dessas músicas apareceram no Edge of Thorns.

Sem as músicas originais para comparar, não dá pra saber qual riff foi aproveitado em qual música. Por sorte, quando eu comecei a procurar mp3 na internet eu achei uma cópia de "Larry Elbows". O arquivo nem era mp3, era em quick time audio, e de facto não tinha lá grande qualidade. Eu lembro que foi uma luta achar a música, mas hoje é a coisa mais fácil do mundo ouví-la, basta ir ao YouTube. Lembro a primeira vez que a ouvi e pensei, "putz, o refrão e a parte do solo são o final de 'Follow Me' do Edge of Thorns"! De fato, havia coisas que a gente ouvia e não sabia de onde tinham vindo.

Mas qual não foi minha surpresa quando ouvi o último disco (de 2008) do Jon Oliva's Pain, Global Warning. Lá temos uma música Before I Hang que logo que ouvi, reconheci. Se quiser, ouça você mesmo. Sim, é o verso de "Larry Elbows"! O Jon Oliva sabia que a música era boa, por isso não deve ter ficado satisfeito até tê-la feito aparecer por inteiro em algum projeto seu. Uma pena que tenha sido assim, pois "Before I Hang" é uma música muito inferior a "Larry Elbows" ou mesmo "Follow Me". Acho que todo fã do Savatage gostaria de ouvir a versão completa do Streets, com todas as faixas e as partes faladas. É mesmo uma pena que isso não seja possível.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Amorphis e Children Of Bodom, Via Funchal, 12/09/2009


Esta não é uma resenha de show comum. Não será completamente estranha também, no entanto. Só digo isso pelo fato de que comentarei apenas a apresentação da banda de abertura (ou a banda convidada especial, como alguns preferem), deixando o show principal para os veículos profissionais ou para os fãs mais inspirados.

E quais os motivos disso? Um dos motivos é que a banda principal, a finlandesa Children Of Bodom, já passou outras vezes pelo Brasil e, embora tenha feito um show correto com grande parte de seus clássicos, não foi exatamente uma grande apresentação. Não foi ruim, leiam bem. Só não foi uma noite particularmente inspirada de Laiho, Wirman & Cia.

O outro motivo é que a convidada especial era o Amorphis, também da Finlândia.

Não posso dizer que essa primeira passagem do Amorphis no Brasil tenha sido aguardada por incontáveis fãs. Na verdade, era visível que poucos presentes no Via Funchal realmente conheciam a banda e estavam lá exclusivamente por causa dela. Fora isso, o som do Via Funchal não colaborou, fazendo com que muitos detalhes das músicas se perdessem por falta ou excesso de volume. Mesmo assim, quem foi lá exclusivamente pelo Amorphis saiu quase 100% satisfeito.

A performance da banda é algo perfeito. Todos estavam visivelmente felizes por tocar no Brasil, o que se refletiu em uma apresentação bastante simpática, liderada por Tomi Joutsen, o vocalista que alguns criticavam, mas que, após esse dia, todos passam a aceitar. Ótimo cantor, melhor ainda como urrador, Joutsen foi perfeito tanto nas músicas mais antigas quanto nas mais recentes e já gravadas originalmente por ele.

O set list foi outro grande destaque da apresentação. Ao invés de se basear nas composições mais novas, priorizando o novo vocalista, a banda realmente pensou em seus fãs e trouxe algumas composições dos primeiros álbuns da carreira, fazendo um misto das fases antiga e atual. É bem perceptível que ao vivo as músicas mais novas soam melhor, pois são razoavelmente mais simples, enquanto muitos dos detalhes das mais antigas acabam se perdendo ao vivo. Mesmo assim, a banda superou essa diferença com performance e vontade.

O show começou com Leaves Scar, do Eclipse (06), seguida de Towards And Against, do Silent Waters (07) e Sampo, do novo álbum Skyforger. Alone, do Am Universum (01) foi a representante da fase intermediária da banda, seguida da grande surpresa On Rich And Poor, do Elegy (96). The Smoke, grande hit do Eclipse finalizou a primeira metade do show, e até aí os fãs já estavam bastante satisfeitos, e esperançosos, pois a banda estava mandando um set list bastante interessante.

The Castaway foi realmente um grande presente para os fãs. Eu mesmo não esperava algo do Tales From The Thousand Lakes (94), segundo álbum da banda. E, mesmo que esperasse, não apostaria nela. Silver Bride, também do novo álbum antecedeu um dos pontos altos do show, a dupla My Kantele e Against Widows, ambas do Elegy. E a parte final da apresentação ficou para House Of Sleep, do Eclipse, e a perfeita Black Winter Day, grande clássico dos primórdios, presente no Tales From The Thousand Lakes.

É preciso dizer que o set list não foi exatamente balanceado, pois não apresentou músicas de três dos nove álbuns da banda. No entanto, o equilíbrio entre a fase inicial, intermediária e atual foi preciso, com músicas ícones de suas respectivas fases e que já não eram mais apresentadas ao vivo. Black Winter Day, My Kantele, Alone soaram perfeitas ao lado de The Smoke ou Silver Bride, faixas mais recentes e com um acento mais "leve", o que comprova a força de uma banda dona de composições carismáticas e atemporais.

O saldo foi muito positivo e, mesmo com problemas técnicos com o som, que quase sumiu com o belo solo de teclado de Black Winter Day, os fãs acreditam piamente num retorno do Amorphis ao Brasil numa próxima turnê. Dessa vez, no entanto, com um show completo, com músicas de todos os álbuns e, mais importante, sem ser convidada especial de ninguém. Ainda mais do Children of Bodom.


sábado, 12 de setembro de 2009

Crise! Que crise?

A tecnologia na música avançou muito nos últimos dez, quinze anos. Tanto a forma de se fazê-la quanto a de se ouvi-la mudaram drasticamente, e o principal reflexo disso é a crise da indústria musical.

É importante enfatizar bem isso: a crise é da indústria, das empresas que sempre lucraram de forma abusiva comercializando meia dúzia de artistas. Agora, a crise não é nem nunca foi da música. Na verdade, nunca se fez nem se ouviu tanta música quanto hoje.

O mercado da música hoje em dia é outro, radicalmente diferente do que costumava ser. O mainstream sempre foi o reino de alguns artistas escolhidos a dedo (nem sempre por razões musicais) por gravadoras multinacionais, preparados para serem degustados pelo mercado e descartados em seguida. Havia grandes investimentos buscando grandes lucros, com estúdios e equipamentos caros e técnicos especializados, as únicas formas de conseguir bons resultados nas gravações. Além disso, grandes investimentos em divulgação e em muitos países, como o Brasil, gastos maiores ainda com “divulgação” – ou seja, jabá. Mas tudo isso buscando um sucesso momentâneo, um hit que viesse e fosse logo esquecido para dar lugar ao próximo.

A forma como as mudanças atingiram este esquema foi devastadora pela própria natureza da relação entre a música comercial e seu consumidor: é música descartável, e será apreciada da forma mais descartável possível – ou seja, se as pessoas puderem evitar comprar CDs neste contexto, evitarão.

Diminuir o lucro baixando preços, ou incluindo diferenciais aos CDs para torná-los mais atraentes, nem pensar. As soluções encontradas pelos dinossauros das multinacionais para resolver a crise são perseguir quem compartilha arquivos como se fosse um assaltante, encomendar a políticos com o rabo preso leis que tentem coibir a livre circulação de zeros e uns – que são a única coisa que existe na internet e em qualquer mídia digital – e continuar lançando lixo descartável. Esta estratégia obviamente está fracassando, mas nem assim as empresas parecem dar sinais de largar o osso, e aceitar que não há solução para o seu problema. Não há caminho de volta no tempo.

Interessante é comparar isto com as possibilidades que estas mesmas mudanças, esta crise, apresentam para o Metal, assim como para outras formas mais underground de música. O estilo tem seus representantes dentro do esquema das grandes gravadoras, como por exemplo o Iron Maiden, rentável artista da EMI desde o primeiro LP, há quase trinta anos, e o Metallica, que tomou a frente da briga ridícula da indústria com o Napster há alguns anos, e se queimou com os fãs. Mas no geral, sobrevive de forma independente, andando pelas próprias pernas.Claro que esta independência sempre significou falta de dinheiro, o que limitava gravemente a qualidade dos registros e a divulgação e distribuição do que se conseguia gravar.

Hoje, gravar com qualidade é barato. A internet é o melhor canal de divulgação que se poderia imaginar. O cenário é propício para a criatividade e o surgimento de novas bandas. O problema, naturalmente, é que quanto mais gente aparecer, mais gente ruim vai aparecer. Mas isso não é nada comparado às possibilidades que se tem. Alia-se a isto o fato de que o ouvinte do Heavy Metal em geral gosta de comprar CDs, e continua comprando. É um colecionador que não encara a música que ouve como um produto descartável, mas como algo duradouro que merece ser conservado.

Sendo poucos os fãs, as vendas não serão astronômicas, mas nunca deixarão de existir.

Nestes moldes, não haverá alguns poucos ganhando muito dinheiro, mas muitos ganhando pouco. Talvez pouco até demais, mas para os artistas no Metal, nada muda: tanto antes como agora, dificilmente conseguiriam viver exclusivamente da música (isto se aplica a músicos brasileiros e estrangeiros). Agora, ao menos conseguem ser ouvidos.

Mas isto depende, é claro, da disponibilidade do público para o novo: é fato que muitos fãs preferem continuar ouvindo sempre as mesmas bandas, sem dar oportunidade a artistas diferentes. Infelizmente, isto minimiza os efeitos revolucionários que as novas tecnologias poderiam ter na cena como um todo, e faz com que o underground às vezes acabe parecendo nada mais que um mainstream miniatura, onde meia dúzia vende razoavelmente bem e isto é o bastante para que tudo gire em torno do dinheiro (vide o post do André, sobre o Business Metal).

Os dias gordos para as grandes gravadoras e seus artistas-produto acabaram e não vão mais voltar, não adianta espernear. Agora é uma época onde é possível fazer música principalmente por satisfação artística, com qualidade. Mas aproveitar este potencial de forma plena é algo que está nas mãos do público. É só uma questão de manter os ouvidos abertos.